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A Capa de Zangbeto

   Foi num campo de chão batido que vi pela primeira vez a dança impressionante , forte nos tambores e marcante nas cores. Movimentos que embriagavam os olhos e pinçavam a mente , numa ameaça de que há mais mistérios do que realidade nesta vida maluca que levamos.

   A figura vinha e rodava e não mostrava o conteúdo. Era tudo o que se podia ver: a imagem externa , gravetos e penduricalhos e flores secas e sei lá mais o quê de barateza usual... Toda sua energia era para disfarçar o sofrimento.

   Em determinado momento comparei aquele zanzar com a vida de alguém  muito próximo...

   As cicatrizes e as feridas abertas, encobertas pela mágica veste, eram totalmente desconhecidas do público que insistia em mais uma volta pelos cantos do palco.

   É , o público, esse algoz...

   Dentro da estranha mortalha de feitiços havia quem amargava pesadelos , somente seus por não dividir o penar. Muitos dias de angústia em segundos de morte a toda hora!

   E, como reparar os danos que causei àquele ser que saltita, entretendo os presentes à festa?

   Procuro no egoísmo a que me torno, num esforço para diminuí-lo a cada investida, a cada batalha , a resposta para esse traje de promessas à minha frente!

   Devo dançar também?
Marcos Palma
Enviado por Marcos Palma em 24/06/2019
Código do texto: T6680470
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Sobre o autor
Marcos Palma
Curitiba - Paraná - Brasil, 59 anos
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