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Carta de um suicida

Em uma bela noite estrelada, fria, musical e compartilhada com muito álcool, álcool que busquei achar dentro de goles e mais goles na tentativa de anestesiar essa asfixia em meu peito, entre sorriso pintado no rosto diante da presença dos amigos, mascarando o que existe dentro de mim, a busca de sentir algo entre beijos trocados e roubados em meio a multidão, por que eu não sinto nada? por que no meio de tanta gente ainda me sinto tão só?
Eu já não tenho forcas, já não consigo lutar, e caminhando perto de um viaduto olhando para os carros que passavam, indo e voltando imaginando levar ou trazer pessoas conhecidas ou desconhecidas, indo ou voltando do trabalho, nas duas vias, senti um silencio uma paz, mesmo em meio a um caos dentro de mim...
Sempre imaginei que quem pensava em suicídio era fraco ou forte demais, tinha que ter a cabeça muito fraca ou muita coragem para por fim em sua vida...
Hoje debruçada em um viaduto me pego a pensar na minha vida, onde não me aceito e nem sou respeitada pelo que sou, minha família preferi que eu não exista, preferia que fosse ladra, drogada, assassina, porque isso teria perdão, mas eu só amo, eu só queria poder viver esse amo, e sou renegada por amar  uma outra mulher, o amor não deveria ser um motivo de condenação, segundo as religiões o suicídio também é uma forma de condenação, então hoje me deparo em um impasse, ser condenada por tirar minha vida, ou ser condenada por amar...
Sempre acreditei em Deus, no quanto é grande seu amor por nós, porem hoje perde as esperanças, minha família me fez acreditar que Ele não me ama, que Ele preferiu me punir, me agredir e me castigar, por não amar do jeito que eles querem que eu ame, que seja necessário viver em um padrão, que Ele preferi ver minha família me julgar, me condenar, então o que fazer?

Mãe e Pai, me despeço com essa carta como pedido de desculpas, por não ter alcançado seus altos padrões, por não ter retribuído da melhor forma a vida concebida por vocês, só queria que vocês pudesse entender que não foi uma opção contraria-los, se tivesse outra forma assim eu faria, tentei juro que tentei, hoje já não tenho mais forcas e já não tenho esperanças, não consigo combater essa batalha exaustivas com vocês, vocês merecem mais, me perdoe por não ter sido a filha que vocês desejavam, que cuidaram e viram crescer se tornar isso que vocês abominam, me perdoem.

Deus me perdoe se nesse momento estarei tirando minha vida, perdoe meus pais por ter tirado minhas esperanças de TI, perdoe-me por ser quem sou, perdoe-me por mesmo que por uma fração de segundos ter esquecido do seu amor, perdoe-me por não conseguir mais lutar,  só não suporto mais sentir o olhar de vergonha da minha família sobre meus ombros, cuide da minha família, mesmo que eles já não me queiram na vida deles.

Obrigada

Adeus

Silêncio...
cjk
Enviado por cjk em 23/06/2020
Código do texto: T6985856
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
cjk
Abreu e Lima - Pernambuco - Brasil
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