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CARTA QUE EU GOSTARIA DE RECEBER DE MAMÃE

     Paraíso, 24 de junho de 2020.

     Querido filho Luiz,

     Já faz mais de 13 anos que estou morando no Paraíso. Em 29 de janeiro de 2007, bem depois das 19 horas, aqui cheguei.

     Primeiramente quero dizer que neste lugar não há calendário, não há  relógio, tudo é infinito.

     Em seguida gostaria de dizer que fiquei muito triste de deixar toda a nossa família aí, principalmente de meu companheiro de tantos anos, o João, seu pai. Foi doloroso desligar-me de todos vocês.  No entanto, ao chegar aqui, fui recebida com muito carinho por Deus, o nosso Pai Eterno, Jesus, o meu Sagrado Coração de Jesus. Do lado deles, adivinha quem estava toda bonita, cheia de ternura? Nossa Senhora.

     Abraçaram-me, desejando-me boas-vindas e dizendo que, a partir daquele momento, eu ocuparia um lugar especial no céu. Disseram-me que eu não me preocupasse que, brevemente, me acostumaria à nova casa.

     Não demorou muito. Não posso afirmar quantos anos, quantos meses, quantos dias, pois aqui não há relógio, calendário, como disse anteriormente, eis que aparece seu pai. Estava com a carinha boa, mas espantado com tudo que via neste lugar tão especial. Daqui a pouco vou falar um pouco dele e como ele está.

     Foi muito difícil compreender toda essa passagem da vida terrena para a vida espiritual. Sempre fui muito agarrada à nossa família e fiquei, posso assim dizer, muito preocupada com vocês. Maria, nossa mãe, é muito generosa. Sempre está do meu lado e demonstra muita preocupação com as pessoas da Terra. Percebo que ela conversa muito com Jesus sobre as dificuldades que vêm aparecendo no dia a dia da Humanidade, intercedendo por todos.

     Vou relatar agora sobre um pouco de minha rotina diária. Aqui não existe doença. Não existe noite. Não existe choro. Não há lágrimas. A vida eterna, como sempre ouvi falar, quando estava na Terra, e não compreendia, é algo fascinante. Há muita luz. Muita luz. Resplandecendo sem parar. Há belos jardins, com flores de todas as espécies. Passarinhos, aos montes. Regatos com águas cristalinas. Participo de algumas reuniões. Nelas percebo a presença de muitos santos de minha devoção: Santo Antônio, São Geraldo, Santo Afonso Maria de Ligório, Santa Terezinha, São João Bosco etc. etc. Estão sempre sorrindo. Estão aqui também, muitas pessoas que fazem parte de nossa família. Seus avós, tios, amigos, conterrâneos etc. A felicidade aqui é plena. Ah, sobre as reuniões: participo e tenho a oportunidade de falar. O assunto é sempre o mesmo: funcionar como um anjo protetor das pessoas a quem mais amamos e estão ainda aí na Terra.

     Não me esqueço de vocês. Estou sempre procurando ajudá-los nos momentos de dificuldade, de doenças, nas horas de insegurança, enfim, acho que a missão que recebi de Deus foi de ser um anjo protetor principalmente de meus filhos e netos.  O Pai Eterno me incumbiu de ajudá-los no que for preciso, até que chegue o dia de também poderem chegar até aqui.

     E o seu pai? Está aqui. Daquele mesmo jeitinho. Sereno, tranquilo, amoroso. Foi recebido com festa e, tão logo chegou, não pude deixar de abraçá-lo com todo carinho. Ele, em algumas oportunidades, me disse que se preocupa muito com vocês e que gostaria de dizer o quanto os ama. Disse-me que ficou pesaroso quando deixou a família aí. Agora já está conformado e muito feliz. Participa das atividades organizadas aqui no Paraíso.

     Noutro dia, vou escrever de novo para você. Não posso deixar de dizer que seu pai e eu estamos muito felizes. Nada nos falta. Só temos alegria. Está tudo de acordo com o que Jesus prometeu para aqueles que seguissem seus ensinamentos.

     Peço que diga  ao Zezé, ao Nini, ao Geraldo, ao Marinho e à Aparecida, para não se preocuparem conosco. Quem chega até aqui está feliz e cheio de glória. Só peço que vivam com dignidade, respeitem o próximo, que ajudem os mais necessitados e não façam mal a ninguém. Ah, outra coisa, peço que acreditem na força das orações. Façam isso todos os dias. Nosso Deus dá muito valor às orações de seus filhos.

     Abraço amoroso cheio de luz, de sua mãe e de seu pai.

     MARIA DAS DORES E JOÃO PEREIRA
 
Meus pais:
João Pereira de Souza :      * 05.08.1913 -  + 19.04.2008
Maria das Dores de Souza: * 27.07.1916 -   + 29.01.2007


LUIZ DE SOUZA
Enviado por LUIZ DE SOUZA em 24/06/2020
Reeditado em 09/07/2020
Código do texto: T6986642
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LUIZ DE SOUZA
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 70 anos
52 textos (5096 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/08/20 18:27)
LUIZ DE SOUZA