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 Conversa sobre o invisível

Luis certíssimo em trazer à sua análise Paul Virilio à  quem  tenho muita admiração e inclusive faço algumas citações dele em minha tese. Óbvio que é um pensador chave para se entender a guerra que estamos a travar. Quando citei Foucault pensei no que se denomina mundo afora de novo normal que poderá vir sob o signo do controle e de vigilância com justificativas sanitárias.  Mas é  certo que Virilio é sim quem descreve a atual situação com mais precisão. Aproveitei sua deixa e li uns trechos de Guerra Pura e de fato é interessante as ilações que podem ser feitas a partir desse texto nesse momento em que a guerra que não é  nuclear, mas é a mais terrível das guerra contra um corpúsculo maior N vezes que um átomo; e que Virilio diria não ser nada. Mas infelizmente é. E nesse tocante compreendo sua reflexão sobre as escalas usadas e o modelo da física quântica que é a cosmovisão padrão. Mas falando desse país e comentando sobre a obra de Virilio citada não nos preparamos com seriedade para a guerra e, portanto não estamos à altura do inimigo e tivemos tempo de montar logística e de fazermos a conversão de nossas forças econômicas para a economia de guerra. Recursos  escassos  grandiosos foram deslocados para o combate, mas de forma amadora e pouco engajada e sem transparência e ainda muitos casos de corrupção em meio à pilha de cadáveres. Tristes trópicos como disse Lévi-Strauss. Se segundo o raciocínio de Virilio o esforço de guerra é para a produção de insumos e financiar a economia porque numa guerra a economia é de perdas e não de lucros, então a racionalização dos recursos seria fundamental, e além do que não houve redireccionamento de nossa economia para a produção de insumos, nem máscaras nem respiradouros mecânicos, muito menos a produção de uma vacina, nem preparamos a rede hospitalar que foi sucateada para a guerra. Tem aspectos dessa crise que todos os países experimentaram principalmente a dependência de insumos como máscaras e ventiladores mecânicos de um único país a China. Talvez tenhamos que repensar isso. Uma simples máscara não ser fabricada num país que produz  avião e ergueu do nada Brasília. Que tem um dos maiores parques industriais do cone Sul. Enfim. Da pandemia não obtivemos nenhuma Vitória.  E para variar como já lhe havia falado o governo não trata esse momento como uma guerra e ainda aposta na perversa imunidade do rebanho e na defesa do uso irresponsável da cloroquina.  A sorte é que os governadores estão na contramão disto tudo e isto dá certo consolo. Um Ministério da Saúde em tempos de guerra equivale a um Ministro da Guerra, mas aqui o que o presidente fez exonerar dois ministros da saúde por ciúme imbecil da relevância e projeção natural desses gestores numa economia de guerra sanitária. Ou seja, travamos uma guerra sem logística sem precisão de investimentos sem comando nem mesmo a medida sanitária mais eficaz e mais acessível que é o confinamento social, ou seja, não houve planejamento sistemático e estamos agora tendo que decretar confinamento forçado e assim o vírus se impõe como uma força brutalmente avassaladora e de soslaio está a infectar todo os rincões do país e como afirmei a morte é um facto natural, mas a mortalidade não. A INTELIGÊNCIA SANITÁRIA FOI SABOTADA. Quanto a Virilio quando diz que numa guerra tudo é  dinâmico e mutante estamos sem reação. Virilio diz que ou a  guerra é nuclear ou é nada concordo quando disse que esse pressuposto é o da escala da física quântica e, portanto o modelo das ciências quanto à cosmovisão de mundo. Em escalas intermediárias o mundo não  se preparou e virão outras pandemias até piores. Talvez não sejamos exterminados por um conflito nuclear, entretanto a probabilidade do extermínio em massa por uma nova pandemia  é real. E ainda há a possibilidade de que tudo isso seja parte de uma guerra híbrida travada pelos EUA e nesse tocante Virilio está certo a Segunda  Guerra não acabou. O bloco euroasiático liderado por Rússia e China prova isso. Saúde e paz.



 
Labareda
Enviado por Labareda em 26/03/2021
Reeditado em 11/04/2021
Código do texto: T7216536
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Labareda
Afogados da Ingazeira - Pernambuco - Brasil
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