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Perdõe-me por tê-la enganado.

Lavras, 11 de novembro de 2006

 

 

                     Maria Paula

 

                     Quando li o título de seu texto, Carta a uma jovem Poeta, nem por um momento achei que se dirigisse a mim. Fui ler correndo, pensando quem será ?Quem será essa jovem sortuda que está recebendo uma carta da Maria Paula?  Quando vi que era para mim, assustei-me, e por algum momento, encabulada, questionei-me: o que será que eu fiz para que  me julgasse uma jovem poeta? Eu tenho tentado em minha vida ser sempre verdadeira mas já havia percebido por alguns de seus comentários que você me considerava mais jovem do que sou. Não sei porque não esclareci isso logo, pensei até em fazer, mas não dei tanta importância.  Eu também gosto de tentar adivinhar a pessoa atrás do escrito  e foi uma surpresa ver a sua foto: você me imaginava jovem e no entanto, pela fotografia pude perceber que você é muito mais jovem do que eu. Eu não sou a sua versão jovem, você sim pode ser considerada a minha versão mais  jovem

 

                     Sim, nossas afinidades são muitas, como você afirma. Você sabe através dos meus textos tudo o que sou. Eu costumo dizer que mente o escritor que diz apenas escrever fantasias, que nada do que está ali é ele realmente. Ninguém consegue fazer isso, abstrair-se de si mesmo ao escrever. Posso inventar fatos, que podem ser reais ou inverossímeis.Contar casos que eu não tenha vivido.Mas ao  observar o mundo que me cerca e relatá-lo, são os meus olhos que estão fazendo isso, é a minha mente que está trabalhando. Não posso nem mesmo dizer que minha mente é a de um jovem, ou que tenho o espírito jovem. Gosto de saber que minha mente já percorreu um longo caminho até aqui e que graças a ela pude aprender muito da vida. Gosto de pensar também que meu espírito está evoluindo há um longo tempo, que não começou ontem. Quando as pessoas dizem: eu sou velha mas tenho o espírito jovem, eu penso: que babaca, perdeu uma grande oportunidade, envelheceu sem deixar que o espírito crescesse. Mas, o que eu não abro mão, é de trazer sempre junto comigo a criança que eu fui. Eu nunca deixei que ela se fosse, porque a criança tem algumas características que são fundamentais na vida: a confiança, a esperança, a alegria de viver, a vontade de brincar. Segundo esses aspectos eu até posso me considerar mais jovem do que muito jovem por aí. Mas, quantos aos anos de vida...eu tenho muitos mais que você, meu bem.

 

                Não acho que seja necessário ser velho para escrever memórias.Mas sei que é o usual. Por isso, deixando claro que já estou escrevendo memórias, achei que  também estava  claro que eu já tinha idade suficiente para isso. Gostaria de ter começado antes. Escrito as minhas memórias da infância na adolescência, as da adolescência na juventude, as da juventude na idade madura e ir  comparando-as entre si.Quando você em um comentário disse algo como "tão novinha e já escrevendo memórias" acho que fiquei lisonjeada e não esclareci. Me desculpe, não foi intencional.

             O que você está fazendo é muito importante. Os filhos nunca sabem o que os pais são realmente. Eles pensam que são apenas pais. Tenho conversado muito com minha mãe ultimamente e a mulher que tenho descoberto tem uma dimensão bem diferente da que eu conhecia como mãe. Continue se descobrindo para suas filhas. Penso que elas são encantadoras e se refletem magnificamente no que escrevem.
 

 

                O Recanto tem para mim a mesma função que tem para você. Está sendo o meu descanso. Passo aqui o tempo que passava em frente da televisão vendo enlatados americanos. Eu estava viciada em séries policiais e coisa e tal. Quando achei o Recanto parei de dormir em frente da televisão e passei a resgatar o meu prazer em escrever. Mas, não tenho nenhuma ambição literária. Sério.Eu nunca corri atrás de um editor e não vou correr agora. Nem pretendo pagar do meu bolso para editar um livro.Já tive oportunidades que não aproveitei, por ser muito jovem e burra.Agora, não sou mais jovem e certamente sou menos burra. Sentia falta de leitores, porém...Qual o sentido de escrever, se ninguém lê?Já os encontrei,aqui. Não preciso de mais nada. Pelo menos, por enquanto.Amanhã posso mudar de idéia. Eu sempre achei que a capacidade de mudar de idéia é um privilégio, e eu utilizo desse privilégio sempre.

 

               Aceito todos os seus conselhos, mesmo sendo dirigidos a jovem que eu não sou.Sou conselhos de uma mulher sábia. Amei a sua carta.Vou guardá-la para sempre no meu coração.

         Hoje estive em dois eventos importantes: no primeiro, eu fui ver a apresentação de “meus meninos” na Festa das Nações. Um grupo de hip-hop e um grupo de tambores. Falarei sobre os meus meninos  em uma outra ocasião. Só quero dizer da minha emoção. Quando vi aquelas crianças e jovens se apresentando em um palco, soberbos, orgulhosos, eu  senti meus olhos cheios de água. Eu compreendi que o que faço tem importância.Eu ajudo a transformar o mundo, para melhor.Depois que comecei a desenvolver esse projeto eu me tornei o que eles são. Com eles eu sou criança, eu sou jovem. Este é o sentido da vida para mim e ele indenpende de ser jovem ou não. Depois, fui a um jantar. Meu grupo de amigos, fazemos um jantar mensal. Ali também somos crianças, somos jovens,embora muitos já sejam avós. Planejamos a nossa festa de Natal. Amigo Oculto, Elefante Branco. Homens e mulheres sentados em volta de uma mesa, comendo, bebendo, contando casos. E agora, madrugada a dentro, estou em  frente a internet, conversando com você, minha amiga virtual. Três mundo diferentes dentro da infinidade de mundos em que vivo. Desculpe-me se levei você ao engano. Não foi de propósito. Não me queira mal por isso.

                           Um abraço

                                       da Merô    

 

           

Maria Olimpia Alves de Melo
Enviado por Maria Olimpia Alves de Melo em 11/11/2007
Código do texto: T732370
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Sobre a autora
Maria Olimpia Alves de Melo
Lavras - Minas Gerais - Brasil
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