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Para minha filha...



No momento em que o dia ameaça despedir-se, tingindo com matizes purpurinos as nuvens esparsas que flutuam sobre a minha cidade, minh'alma entra em desalinho.

Recordações soterradas sobre sonhos desfeitos e sob a mira das atitudes de defesa, se sobrepõem à minha vontade desfeita em pranto.

Recordo-me de uma infância distante onde a alegria era a tônica da vida.A despreocupação nata da fase, caracterizava as atitudes de folguedos embebidas no óleo da paz e da harmonia.
Tudo era belo,harmônico e gostoso de saborear.

Aos poucos, a vida foi estirando o seu véu de tal maneira que não me dava chances de modificar a sua disposição.
Tímida, tateando pelos corredores indefinidos da puberdade atirei-me com sofreguidão nos braços de mil aventuras que delinearam com sutileza o meu porvir.

Atemorizada diante de um mundo que me era desconhecido percebi que podia decidir sobre mim mesma, que eu era capaz de seguir por caminhos que me levariam ao prazer ou à felicidade pura.

Como todo ser mortal, caí, levantei e segui adiante.

Hoje, olho para trás e consigo enxergar com clareza onde deveria ter parado e refletido mais...onde deveria ter recuado...onde deveria ter investido sem medo de errar. 

Agora, quando o dia esmaecido se esconde por detrás das montanhas, olho através das montanhas que cercearam a minha estrada e posso ver com clareza. 

Neste momento, sinto saudades de ti filha amada.Sinto profunda saudade de ti.

Mergulho no abstrato que nos separa e questiono o porquê da tua partida tão breve.

Recordo-me da tua delicadeza, do teu falar baixinho e terno, das tuas cartas de incentivo quando eu me sentia deprimida e só,do teu zelo e da minha incapacidade de corresponder à altura do teu amor.

Sinto falta de ti Adelina, Di, filha amada.

Sei que ,na outra dimensão estás a servir com o mesmo zelo e carinho com que servias por aqui....Sei que já compreendes o que para mim ainda é incógnita e que não julgarás ,jamais, as minhas atitudes, até porque nunca agiste como juíza dos atos alheios. 

Aqui, sozinha, envolta na melodia da vida e no silêncio que minh'alma faz buscando-te, abraço-te com carinho tentando desvendar os mistérios que nos envolvem. 

Lavem a minh'alma as minhas lágrimas, de toda e qualquer ingratidão que eu tenha cometido para contigo.

Abraço-te,com carinho.
Tua,sempre mãe,Sônia.



Um final de semana em paz para todos.Bjss



Imagem do site google
http://www.photografos.com.br/exibirfoto.asp?id=2596

Sônia Maria Cidreira de Farias
Enviado por Sônia Maria Cidreira de Farias em 17/11/2007
Reeditado em 26/02/2010
Código do texto: T741255
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sônia Maria Cidreira de Farias
Jequié - Bahia - Brasil
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Sônia Maria Cidreira de Farias