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Um certo dia em qualquer lugar

...e quando virei as costas, assim que dobrei a esquina, um turbilhão de imagens invadiram minha memória.
Lembro do calor das tardes, dos esconderijos mal intencionados, dos carinhos, do amor.
Me vêem e não os vejo, pareço sozinho no meio da comemoração de um gol, todos se abraçam e me atravessam.
Meu espírito está só, perdido na eternidade do universo. O criador esquecera sua criação.
O corpo pesa, as idéias faltam. O ar é quente. Os minutos são horas, os dias meses. E eu, sou um só. Uma peça que sobra no tabuleiro.
Um antro de carinho recluso em sua casca, fria e debilitada, em seu mundo desfeito PELAS CRENÇAS ABSURDAS DE AMOR ETERNO.
Qual amor? Aquele que ficou sentado no banco da praça quando virei a esquina? Aquele amor que enfrentava todas as minhas crises, meus problemas?
O que pesa e me divide são as lembranças, e essas sim SÃO ETERNAS, que me assolam, me descaram, e me acusam! Meu Criador, elas querem me acusar! Tenho um juiz pessoal que quer me matar de culpa e remorso... e nada posso fazer, sou o único e culpado réu.
Me conforto quando sinto que estou perto do fim, talvez pelo gosto de sangue que vem das palavras que saem de mim.
Gabriel Perroni
Enviado por Gabriel Perroni em 22/11/2007
Reeditado em 23/11/2007
Código do texto: T747906

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Sobre o autor
Gabriel Perroni
Campinas - São Paulo - Brasil, 28 anos
68 textos (4513 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 08:11)
Gabriel Perroni