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Mentiras ditas pelo coração

A um destinatário não-declarado

     Foi num desses momentos em que o coração não ri; em que a alma já saiu porta fora; em que nada parece ter mais sentido e tudo não vale mais nada... Justamente aí foi quando apareceste. Assim mesmo... sem mais nem menos. Nada esperado. Surpresa total. Absoluta. Completa!
     E de repente tuas palavras passaram a ser quase a minha respiração. Impossível viver sem elas! Uma espécie de ritual diário... o mesmo que dormir, levantar, comer, pensar... enfim.
     E eu passei a acreditar em tudo. Não sei se fui ignorante ou inocente. Sei apenas que acreditei. E sabes por quê? Porque é bom acreditar no que é bom, no que nos faz bem, ainda mais quando estamos mal, sem norte, sem sorte, no sem-sentido da vida.
      Viver feliz - seja a felicidade entendida como for por qualquer mortal - é o que todos querem. E assim me senti: feliz!
     Vê que simplicidade: feliz apenas por causa de palavras! Palavras breves, na maioria das vezes, mas as melhores palavras! O encantamento delas me comovendo!
      É que as palavras são obras de arte, quase sempre! Ainda mais se ditas com enlevo, na tentativa de convencer. E elas me convenceram! Justifico, porém, meu enternecimento: as palavras tornam possível a poesia e poesia é milagre! Então, como não me seduzir com as palavras que me escreveste?! Impossível!!!
     Mas o tempo passou... (As armadilhas que o próprio tempo apronta em especial para os que anseiam por ele.)
     Hoje me dou conta de que nada mais me disseste além de mentiras... não mentiras ditas por tua boca, mas bem pior que isso: mentiras ditas pelo coração.
     "Por quê?" - é o que me vem a todo momento ao pensamento. E o mais grave: as palavras voam, mas o pensamento não... está sempre martelando dentro de nós  (como as preces que volta e meia fazemos para aliviar algum mal que nos incomoda).
     "Por quê?"... Nunca terei resposta. Continuarei sem saber.
     De  qualquer jeito, me disseste as mentiras que eu sempre quis  ter ouvido como se verdades fossem. Fui feliz, então. Fui feliz porque me fizeste feliz com tuas mentiras!!!  Pode?... é... também acontece!
     Mas nada disso me assusta. Sei da fugacidade da vida, da transitoriedade dos sentimentos. Sei que apaixonar-se não exige de nós nada mais do que isso: sentir paixão!
     E foi o que senti...
                                     Missivista de qualquer hora
     
lilu
Enviado por lilu em 24/11/2007
Reeditado em 24/11/2007
Código do texto: T751211
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Sobre a autora
lilu
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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