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CARTA QUE NUNCA IRÁS LER

      Meu amor.

     Eu queria te escrever uma linda carta de amor, mas, acho que não saberia como começar, pois agora só poderei  escrever uma carta triste, triste como esta.
Naquele mal fadado dia em que foi colocado um final a um relacionamento que pouco há pouco nascera, eu pensei que ia morrer de tanta tristeza, e não ficou em um só dia, minha tristeza se arrasta por dias que parece não ter fim, meu coração sangra, por noites e dias tenho chorado, ferida, sinto, as vezes, que vou morrendo aos poucos, tanto tem sido o meu pranto.  A dor em meu coração é tanta, que sinto o peito sufocar, minha casa não me cabe, não tenho  encontrado repouso em lugar algum.  Sinto-me pequena, humilhada, um nada.  E assim, como uma ave sem ter lugar para pousar, estou eu, perdida, em um desencanto infinito, na mais absoluta e completa desilusão, vago sem saber o que fazer, pra onde ir, grande tristeza veio sobre minha vida.  Daí eu me questionei.  Porque eu estou sofrendo tanto por uma amizade, ou amor, sabe lá, que mal teve tempo de começar? E aí eu cheguei à conclusão: eu não só amo você nos poucos dias que te conheço, eu te amo há tanto tempo, tanto dias, tantos anos.  Nasceu esse amor nos meus sonhos, na ilusão de uma mulher adolescente, que por tanto tempo sofreu na indiferença, no abandono, que na sua dor se escondia para sonhar, um lindo sonho que sua alma gritava, na esperança do dia em que iria encontrar o seu amado, aquele que não lhe trataria com indiferença, não lhe abandonaria, e que por fim seria amada!  Sim, foi no desencanto de um amor perdido que você nasceu, que amei você, sem nem saber que existias, eu te amei com a força de um coração criança, cheio de esperança, amei-te e te amo no mais lindo sonho de amor que minha alma poderia acreditar. Um lindo sonho de amor!
      E nesses dias, para aliviar minha dor, busquei a única pessoa que pode me ajudar, Aquele do qual eu fugi em busca de uma ilusão, assim como uma ovelha fugiu do aprisco, do lugar em que era cuidada, protegida, amada. Aquela que se foi encantada com o brilho, com o colorido de um arco íris, uma ovelha deslumbrada com o sonho que sonhou quase que toda sua vida, assim fui eu. Ovelha desgarrada.
E que agora volta para Àquele que antes abandonara, esquecida do Seu amor, volta pra Ele, ferida, sangrando, vem buscar ajuda n'Ele. E Ele me tomou pela mão, e com bálsamo divino está cuidando das minhas feridas, que ainda sangra, com amor Ele tem me dado consolo, tem me posto em seu colo e secado minhas lágrimas, e com voz suave tem me levantado, tem me vivificado, e tem me feito lembrar, que, mesmo nos meus erros, Ele nunca me esqueceu, e com dó tem contemplado o meu desencanto, com dor tem acompanhado minhas lágrimas, o meu sofrer. E com amor Ele me diz: Ninguém pode te amar como eu te amo!
Ainda estou ferida, triste, porque não posso negar a mim mesma, ainda te amo, e acho que ainda vou te amar por longo tempo, mas sei que posso viver sem ti, e talvez um dia, eu te veja como simples amigo. E se alguém perdeu, talvez não tenha sido eu, talvez tenha sido você que perdeu, perdeu um grande amor. O meu amor.

06 de Dezembro de 2007.

Aurinete Alencar
Enviado por Aurinete Alencar em 06/12/2007
Reeditado em 12/12/2007
Código do texto: T767684
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Sobre a autora
Aurinete Alencar
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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