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A galope

A galope
 

Isto foi lá no século passado, década de noventa. Havia um grupo de amigos, daqueles que “curtiram” muito. Como a maioria dos jovens, sem grana, porém com muita vontade de aproveitar a idade. Responsáveis, entretanto aventureiros, onde “tava” um, “tava” todos. E deu cada história. Tem uma “dum” baile que olha, entrou pra história.
“Sabadão”, antes de sair a “caça”, a galera se encontrava na casa de um ou outro e garantiam a noite “mais barata”. Já saiam de lá turbinados. E foram chegando pro esquenta. Escalação daquela noite, Ted (terror das empregadas domésticas) pegava todas. Pai (mais velho), quando não tava “beudu”, tava tomando uma pra firma o pulso. Ka, nunca entenderam por que frequentava aquele grupo, o cara não fazia “quase nada errado”. Finalizando o elenco daquela noite, Brutos, pensa num cara forte.
Às nove da noite a galera foi chegando à casa do Pai. Pra variar já tava “enxugando” uma. Estava na segunda caipira, detalhe “tava só”. Ted chegou dizendo que a empregada da mana estaria lá. Tinha preferência no motel (Chevette 82), do pai dele. Logo veio Brutus e Ka.
Nesse meio tempo, até dar a hora de partir, rolaram algumas historia do fim de semana anterior.
E lá vinha Ted com suas peripécias. Tava com a vizinha no baile, atrás do pavilhão da igreja. E vai e não vai e pega e não deixa, a coisa esquentando, passa a namorada dele (detalhe com outro). Noutro dia cedo ligou pra ela, falando que a viram no baile. Ela negou de pé junto. Mantinham um namoro de dois sem vergonhas. Ted explicou, - estava sim, contou à roupa que ela usava, sem jeito ela admitiu. Quando fez isto ele disse, - naquela hora que passou “lá atrás” eu “tava no escurinho” com a Maria. Riram muito, a tarde ela havia ligado pra ele, pedindo se queria sair. Como ele já tinha combinando com Maria, pediu se ela não se importava em ficar em casa, ela aceitou. Porém já havia combinado com Claudio. Eram dois safados.
E Ka para não ficar “atrás”, contou a dele. Depois do mesmo baile, foi na casa de uma conhecida, as quatro da madruga. Bateu na janela da menina, pulou e começou o “Love”, cinco minutos depois, alguém batendo a porta. Ela correu, pediu quem era, sou eu “Moralino”, posso entrar? Ela “soltou os cachorros”, “sou menina direita”, se tá pensando o que? Moralino foi embora. Ka disse que chorava de rir atrás da porta. Logo voltaram ao trabalho.
Brutus sai no meio desse baile, com um amigo e duas senhoritas. Foram ao lago. Chegando lá, o amigo “Devagar”, foi com a menina comer cachorro quente (programão). Brutus pegou o Jeepão e foi dar umas voltas. Levou a menina “prum” lugar escuro. Jeep sem capota, não achava um lugar descente. Viu um milharal, entrou no meio dele e fizeram o serviço, só a lua cheia como testemunha. Ao voltar para o lago, tava lá Devagar dormindo no colo da moça. Quando acordou e viu seu Jeepão cheio de milho, folhas, levantou, entrou e saiu depressa. Ficou Brutus com as duas, a pé. Foi com uma um pedaço, deixou em casa e levou a que estava com Devagar pra casa, dele. Era um gabola.
Depois dessas e outras tava acabando o “combustível”. Resolveram ir ao baile. Chegando lá, como sempre já partiram “pro ataque”, sabendo da preferência “pro motel”. Este devidamente estacionado, para evitar fofoqueiros, atrás do bailão.
E tudo transcorreu normalmente. Quando deu umas três da manha, Brutus e Ka saíram “desaguar” lá fora. Cambaleando, foram atrás da arvore. Ka olha pro céu limpo e pensa, poxa uma lua dessas e chovendo!!! Ao olhar pro lado, tá Brutus com olhar de bêbado segurando o “bilau” e mijando no pé dele.
Nos bailes do interior, era comum ter a cozinha pão com carne moída. O Pai tava lá “forrando o estomago” comprou fichas e distribuiu. Cada um pegou o seu pão. Ka olhou e viu que a “tia” pegava as fichas do pão e colocava em uma caixinha ao lado. Depois de comer o dele e ver que a tia tinha virado as costas, meteu a mão na caixinha e “pagou” outra rodada. Lá pela quarta vez que um pagava o lanche, a tia ficou “esperta”. Guardou a caixinha longe. O pai comia, bebia cerveja e chorava de rir.
E deu cinco da matina, o baile acabou e resolveram ir embora. Saíram do baile no possante, pegaram a estrada, de chão, era poeira pra todo lado. Uns quinhentos metros depois, de saírem do baile, um carro não parava de dar sinal de luz. Brutus achou que fosse briga, disse que dava conta sozinho.  Pararam e o cara disse que estavam com o pneu furado. Enquanto trocavam o pneu, o Pai fez uma saída estratégica, foi pegar as saideiras.
Quando voltou, disse que atrás do baile tinha uma casa e que ouviu uns porcos por lá. Brutus especialista disse, - vamos garantir o almoço.
Saíram os quatro, chegaram ao chiqueirão, pegaram um porco pequeno e duas galinhas. Enfiaram tudo no porta malas e pé na estrada. Tá, mas e matar um porco as cinco da manha, na casa de quem? Ka já sabia onde seria o matadouro.
Pararam o carro na frente da casa dele e saíram. Quatro bêbados, duas galinhas e um porco, em silêncio, pra não acordar os vizinhos, da quadra de baixo claro. Ka abre o portão, já sai à mãe dele, - da pra falar baixo seus f.. Nisso o Pai retruca, - esse porco lazarento me cagou todo. O pai de Ka pede que aconteceu, a mentira já na ponta da língua.
 – Voltando do baile, o porco atravessou, bateu no carro, pegamos e trouxemos pra casa, deu medo vai que chega o dono e temos que pagar. A “veia malandra” rindo pergunta, - tá e as galinhas? O Pai sem pestanejar, já com a “outra verdade” na ponta da língua arremata, - “tavão a galope no porco”.
 
 
Paulo Cesar
Paulo Cesar Santos
Enviado por Paulo Cesar Santos em 07/12/2017
Código do texto: T6192904
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Sobre o autor
Paulo Cesar Santos
Toledo - Paraná - Brasil, 46 anos
115 textos (702 leituras)
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