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Azarado, mas otimista

Todo ser humano, invariavelmente, no transcorrer da vida sempre desfruta de um ou outro momento de azar. Alguns mais otimistas no intuito de amenizar tal fase, a chamam de falta de sorte. Agora, tê-los todos, praticamente num mesmo ano, é algo a se pensar o porquê?
Arlindo Antônio trabalhava há dois anos vendendo cigarros numa grande empresa desse ramo. Um sujeito calmo e estava sempre pronto para ajudar aos colegas na arrumação e abastecimento dos veículos para o dia seguinte, – coisa rara – pois cada um só queria tratar de si e ir embora para casa descansar. Naquela época, os pacotes de cigarros eram vendidos e entregues no ato da venda, diferente de hoje, que o pedido é tirado e a mercadoria entregue posteriormente como medida de segurança.
Arlindo costumava dizer, que não pretendia trabalhar a vida inteira como empregado, e por isso desde cedo todo dinheiro que ganhava procurava aplicar em ações, entretanto como todo mundo, não pode prever a maré de azar que começava a instalar-se em sua vida.
Logo no início do ano teve as primeiras experiências negativas.
Começava o mês de Janeiro e ele foi transferido para atender os clientes da favela da Rocinha.
No segundo dia trabalhando na nova área foi assaltado tendo o carro da empresa, toda a féria do dia e mais o restante da carga de cigarros, roubados. Ao dar parte na delegacia, por não ter conseguido identificar os assaltantes teve a impressão de estar sendo tratado como cúmplice.
Não acabou ai, aliás, só estava começando, e seu desespero aumentou ainda mais no fim desse mesmo mês, pois o novo carro que trabalhava, pegou fogo logo na saída da empresa e toda a carga foi perdida novamente.
A maré de azar que se assolara sobre ele, continuou e para fechar o mês com chave de ouro, foi demitido. Entretanto uma coisa tinha que ser reconhecida, Arlindo não era homem de se abater tão facilmente e o seu otimismo o ajudou a encarar essas adversidades.
Recebera uma boa indenização e estava resolvido a aplicar grande parte do dinheiro que ganhou em ações, e o restante deixaria no banco para atender suas despesas até encontrar um novo trabalho.
Dias mais tarde, em conversa com Luciano, um amigo que trabalhava na Bolsa de Valores, foi aconselhado por ele a vender todas as ações que tinha e reaplicar nas ações de uma nova siderúrgica que estava em plena expansão. Segundo esse seu amigo essas ações iriam aumentar muito nos próximos dias.
Arlindo não pensou duas vezes. Vendeu rapidamente todas as suas ações, deu ordem ao amigo para que comprasse as ações da grande empresa e ficou no aguardo da tal valorização. Durante os três meses seguintes Arlindo passaria apertado, mas tudo valeria a pena se no final os lucros compensassem. Entretanto, não durou tanto tempo, pois depois muito tentar, em Abril, conseguiu o novo emprego e com um salário bem maior do que o anterior. Pensou: – “Agora tudo vai se acertar. Poderei comprar minha casa e mais na frente com o dinheiro das ações vou abrir meu próprio negócio”.
Após seu período de experiência nesta nova empresa, precisamente em Julho, Arlindo sentindo-se seguro, comprou o seu apartamento e passou a sonhar com o dia da mudança. Tinha comprado o imóvel na planta. As obras só começariam em Novembro e estava prevista a entrega para o mesmo mês do ano seguinte.
E deste sonho que passou a viver, foi acordado quando Luciano, seu amigo da Bolsa de Valores, lhe telefonou informando que a empresa que ele havia comprado as ações, tinha acabado de pedir concordata. Em seguida, no mês marcado para o inicio das obras ficou sabendo que a empreiteira responsável pela construção dos apartamentos, também havia falido. Ao procurar saber o que a levou a falir, descobriu que seus proprietários haviam aplicado todo o dinheiro em ações da mesma empresa que ele, a tal, siderúrgica em expansão.
De uma só vez, Arlindo viu ruir seu castelo de esperança. Perdeu o apartamento e todo seu investimento, deixando suas finanças completamente abaladas.
Desastre total.
Estava falido e agora se perguntava. – “Quando é que vai acabar essa maré de azar”?
Foi dormir pensando em tudo que acontecera com ele naquele ano. Ao acordar, como grande otimista que era, planejou; – “Ano que vem vai ser melhor e começo tudo de novo”.
Fernando Antonio Pereira
Enviado por Fernando Antonio Pereira em 13/06/2018
Reeditado em 21/06/2018
Código do texto: T6363260
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando Antonio Pereira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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Fernando Antonio Pereira