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COMPADRES DO MATÃO RESOLVEM A FALTA DE TÁTU


Lá no matão, entre a Fazenda Guerreiro, Santa Cruz e Rincão, tem dois compadres que gostam muito de caçar um tatuzão, sempre prevenidos vão ao mato com um fogão, correm o bichão até segurar pelo rabão. ...



ZÉ PINHÃO e Zé PITO são compadres vizinhos lá no sertão, moram não muito longe um do outro. Costumeiramente, se encontram para uma boa prosa, sempre molhando as palavras com uma boa pinga. Conversa vai, conversa vem, o que gostam mesmo é das conversas de caçadas, são muitas as lembranças dos bichos “abatidos”, após alguns goles, uns já são “abatidos” pela própria cachaça.


A conversa está boa e Zé Pinhão diz a Zé Pito: - “COMPADRE, ACHO QUE TIVE UMA IDÉIA PRA RESORVE O POBREMA DA FALTA DE TÁTU NO TEU MATO, EM POUCO TEMPO PODEREMOS CAÇAR LÁ TAMBÉM”. Zé Pito, muito interessado, rapidamente diz: - “MAS COMO COMPADRE, DIGA LOGO A IDÉIA”. Zé Pinhão respondeu: - “EXPRICO: NO MÊS DE AGOSTO QUANDO AS TÁTUAS ESTIVEREM PRENHAS COMO DE COSTUME, NÓS PEGAMOS UMA NO PITO (armadilha para pegar tatu) AQUI NO MEU MATO E SOLTAMOS NO TEU, ELA VAI CRIAR LÁ OS BICHINHOS E EM POUCO TEMPO VAI TER MUITO TÁTU PRA NÓIS CAÇA.” Zé Pito, diz: - “QUE IDEIA BOA COMPADRE, HOME INTELIGENTE É OUTRA COISA, IDÉIA DE FUNDAMENTO, ENTÃO FICA COMBINADO, NO MÊS DE AGOSTO LEVAMOS A “MATRIZ”, ASSIM FICA TRATADO”.



No mês de agosto como haviam combinado, vez que “trato é trato” pelas bandas do sertão, os compadres se encontram para a caçada, vão pegar a tatua prenha para soltarem no mato de Zé Pito. Era lua cheia, noite boa para uma caçada de tatu, Zé Pinhão deu um assovio e rapidamente seu cão de nome “Sultão” o atendeu, levantando a cabeça, ficou em postura imponente a altura de seu próprio nome, fazendo inveja ao cachorro de Zé Pito, de nome “íngua” (dizem que Zé Pito havia dado outro nome para cachorro quando o ganhou de presente, mas com o tempo mudou para “íngua”, já que o cachorro só corria os bichos quando desejava). Nas caçadas, Zé Pito quando ficava bravo com o cachorro dizia: “Esse cachorro é uma “íngua” ... gritava ... “VENHA AQUI ÍNGUA”. Os compadres pegaram as ferramentas que sempre acompanham uma caçada de tatu, a cortadeira, o facão e também o “pito”. Após entrarem no mato, próximo a uma sanga, não demorou e o cachorro de Zé Pito, o “íngua”, surpreendentemente latiu e saiu em um “pega não pega ... pega não pega" .... até que o tatu entrou em uma toca. Zé Pito disse: - “VIU COMPADRE PINHÃO, MEU CACHORRO É “FERA” EM UMA CAÇADA DE TATU. O compadre Zé Pinhão respondeu: - “COMPADRE NÃO SEJA GAVOLA ... O TEU CACHORRO VOCÊ JÁ COLOCOU O NOME DE “INGUA” PORQUE É MUITO RUIM.” O Zé Pito, respondeu: - “COM UM RISO KKKK ... VOU MUDAR O NOME DO BICHO, ELE MERECE ..... DESTA VEZ ELE TRABALHOU COM FUNDAMENTO”. O Tatu estava na “boca da toca” como se diz no matão, fácil de tirar, nem foi preciso colocar a armadilha. O tatu pego era uma fêmea, estava prenha, era bem aquilo que estavam procurando, tendo sido solta no mato das terras do Zé Pito como haviam combinado.


Algum tempo depois, o compadre Zé Pito foi até a casa do compadre Zé Pinhão, após os respeitosos cumprimentos, disse: - “COMPADRE VIM DEVORVE A TUA “MATRIZ”, A TUA TÁTUA, PEGUEI A MESMA ONTEM, AGORA O MEU MATO ESTÁ CHEIO DE TÁTU, NO INVERNO QUE JÁ NÃO DEMORA A DAR AS CARAS PODEMOS CAÇAR UNS BICHINHOS POR LÁ, A TUA IDÉIA DEU CERTO.” Conversa vai, conversa vem, claro, como sempre molhando a conversa com uma boa pinga, o Compadre Zé Pinhão disse: - “COMPADRE ZÉ PITO AGORA QUE JÁ FOI RESORVIDO O PROBREMA DE FALTA DE TATU DA TUA TERRA, AGORA LÁ TÁ CHEIO DESSE BICHO. VOCÊ PODIA RESORVE O PROBREMA DA FALTA DE LEBRE DA MINHA TERRA E SEI QUE NA TUA TEM MUITO, SABE A CARNE DESSE BICHO É BOA .... É BÃO FRITA. Zé Pito muito rapidamente e com esperteza própria daquelas bandas do matão, após uma baforada em seu palheiro que mais parecia mensagem de índio apache e um gole graúdo da “mardita”, respondeu: - “COMPADRE ZÉ PINHÃO NÃO VAI DA PRA RESORVE ESTE PROBREMA, SABE EU JÁ TO MEIO VÉIO E ESTE BICHO... DE TAR DE LEBRE QUE VOCÊ QUER UMA “MATRIZ” .... CORRE, CORRE MUITO .... MUITO .... A PASSOS LARGOS ... NÃO VAI DÁ PRA PEGA O ANIMAR. ” Zé Pinhão pensou, pensou, tomou um gole graúdo e se conformou dizendo: - “É VERDADE COMPADRE, TÁ BÃO, ENTÃO ME ARCANÇA O TEU FUMO VOU TAMBÉM FAZER UM PALHEIRO, ..... COMPADRE SABE AQUELA ONÇA .... AQUELA, .... SEI ................. BICHO BRAVO...... MAS DAÍ ... PEGUEI O CANIVETE e ......

Vento Lusitano
Enviado por Vento Lusitano em 26/06/2020
Código do texto: T6988807
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Sobre o autor
Vento Lusitano
Clevelândia - Paraná - Brasil
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