ERA UMA VEZ, UM VIAJANTE QUE QUERIA SER ESPERTO

Marcos Barbosa

Era uma vez um forasteiro passando por um restaurante numa aldeia à beira da estrada, com muita fome e sem dinheiro, queria comer. Todo cheio de formalidades chamou o dono do restaurante para conversar. Mal intencionado, para criar um falso valor em torno de sua pessoa, o viajante mentiu ao proprietário que era dono disso e daquilo, que tinha casa numa cidade distante e tentando manipular o aldeão com falsas esperanças, dizia que ia fazer um grande investimento no seu restaurante... E conversa vai, conversa vem e a fome foi apertando, até o ponto em que o viajante resolveu dizer uma verdade:

- Pra dizer a verdade... No momento, aqui comigo eu só tenho esses temperos no alforge e eu estou vendo que o senhor está sem tempero. Meus suprimentos acabaram há três dias. Então, para iniciarmos o nosso negócio, para eu disponibilizar os meus valiosos temperos, eu gostaria que o senhor me concedesse a honra de administrar seus negócios.

Em troca do meu tempero, o senhor poderia me dar aquelas vinte vacas que estou vendo ali no pasto. Também tem mais uma coisa: Eu gostaria de pedir a mão de sua filha em casamento, como bom cristão, pelo regime de comunhão universal de bens...Eu te asseguro meu senhor, que eu tenho as melhores intenções.

Olhando por cima dos óculos quebrados, o aldeão encarou o espertalhão:

- Olha aqui meu rapaz... Você pensa que eu sou otário, só porque eu estou morando aqui nesta aldeia? O senhor pode continuar a sua viajem, com a sua fome de dinheiro... Eu continuarei vivendo com meus mantimentos sem os seus temperos. Sem tempero, eu posso comer e continuo vivo. Quero ver é se o senhor pode viver comendo só tempero.