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yan em Chapecó II

Yan em Chapecó

A história começa antes do meu Nascimento em princípio era para ter sido um chapecoense feliz por ser o primeiro filho do casal Jônia e Francisco, mas uma dessas fatalidades mudou nossa história e vim nascer no interior de Minas.
Mãe era descendente da tribo  indígena Chapecó e meu pai era descendente de italianos oriundos do Rio Grande do Sul que mudaram para  Santa Catarina para tentar uma vida nova foi nessa mudança que meu pai conheceu minha mãe e tiveram momentos de felicidades juntos. Casaram-se lá em Chapecó em meados de 1950. Pouco tempo depois minha mãe descobre que está grávida isso foi uma alegria geral.
Uma tragédia  ocorreu em Chapecó e meu pai foi morto por engano.
Me contaram que em 1950, um fato trágico marcou a então pequena cidade de Chapecó que contava, na época, apenas 5 mil habitantes. A cidade foi acometida por uma série de incêndios, sendo o principal aquele que atingiu a Igreja de Santo Antônio (posteriormente reconstruída; hoje, catedral da cidade), causando grande comoção na comunidade. As suspeitas recaíram sobre dois irmãos recém chegados do Rio Grande do Sul. Presos e torturados, eles negaram os fatos. A certeza de impunidade, além de causas até hoje não bem esclarecidas, levou um grupo de 50 pessoas a invadir a cadeia municipal. Armados, os invasores promoveram uma grande confusão, que acabaria no linchamento dos acusados em praça pública. Depois de mortos a tiros, os irmãos tiveram seus corpos mutilados e incendiados. Jamais se soube quem foram de fato os incendiários; suspeitas recaíram até mesmo sobre as autoridades da cidade. Na época, o episódio chamou a atenção do país: a revista "O Cruzeiro", a mais importante edição nacional de então, noticiou o acontecido, em matéria do dia 11 de novembro de 1950, da seguinte maneira: "A 1 hora da manhã do dia 18 de outubro foi consumada a mais bárbara de todas as chacinas já cometida no Brasil ..."
A minha mãe ficou sem rumo e ela já grávida resolveu mudar de cidade para tentar melhorar seu estado. Todos ficaram preocupados com mamãe e não faltaram pessoas que lhe estenderam a mão nessa hora. Nisso ela veio morar em Minas Gerais em Além Paraíba na Zona da Mata mineira.
O começo de mamãe em Além Paraíba quando ela me contou não foi fácil, mas com o  tempo tudo acabou se ajeitando. Nesse período ela conhece o Sr Juvêncio, fazendeiro da região que assumiu minha mãe mesmo grávida como sua esposa.
Ao nascer fui batizado com o nome de Yan Minenti Mello sempre era o primeiro filho do Sr Juvêncio e não sabendo da minha real história o tratava de papai, pois ele sempre me deu com muito carinho  não deixando me faltar nada e sempre tive o que havia de melhor. Estudei nos melhores colégios da época lá no interior.
Minha mãe teve mais duas filhas e cada uma era mais bonita do que a outra, pois puxarem a beleza de D.Jônia. Elas se casaram bem novas, coisa comum de acontecer naquela época e conseguiram as duas escolherem as pessoas certas para marido. E mãe era feliz tendo vários netos.
Muitas vezes presenciei conversas de minha mãe com os familiares de Chapecó não eu entendo qual seria essa relação, mas deixava passar sem nunca perguntar, até mesmo quando escutei de uma forte tempestade de neve assolou Chapecó em 1966
Mudei para a metrópole para continuar meus estudos e lembro-me que pai  sentia orgulho de ver como estudava. Por gostar em primeiro plano da área de agroindústria fiz cursos nas respectivas áreas para ajudá-lo principalmente.
Tive a sorte de ter tido um professor  chamado João Mello por bom tempo na faculdade que era descendente de italiano e que era da região de Chapecó, por saber que sempre fui bom aluno na faculdade me dava a maior força. Ao terminar a faculdade deixei com ele meu endereço em Além Paraíba para trocarmos idéias sempre.
Voltando para Além Paraíba, já formado com um mundo aberto parta tudo aquilo que gostaria de fazer como profissional da área. Pai me coloca a par dos acontecimentos na fazenda, onde havia caído os serviços que eram feitos lá, em função da crise que assolava o país, mas ainda haveria uma forma de trabalhar lá na minha especialidade. Estes fatores me deixaram tristes, mas ainda gostaria de desenvolver tudo que estudei durante anos a fio e toquei o barco a frente.
Logo depois de estar na fazenda comecei um relacionamento  e desde esse instante já via sinal de casamento e pouco depois não deu outra coisa. A Rose era a molena lina da minha vida. Ela me encantou sobre maneira, suas formas bem feitas, um sorriso angelical e o seu ser mulher completavam este conjunto. Logo em seguida recebi da gráfica os nossos convites de casamento.  Mamãe chora de alegria ao ver o nome Yan Minenti Mello no papel para ela é um sonho que se concretizava.
Tudo nessa vida tem um tempo de acontecer e comigo não foi diferente. Recebo lá em casa um telefonema do professor João uma coisa comum de acontecer pela nossa proximidade de idéias. Ele fala que já estaria aposentado e que voltou para Chapecó  com os seus que ainda dependiam dele. E se gostaria de morar lá e trabalhar numa empresa, pois ele conhecia meu potencial de trabalho, então fiquei de dar o retorno para ele depois de ponderar com a minha família. Neste intervalo de tempo mãe me chama no seu quarto e com a presença do Sr Juvêncio, ela conta a história a meu respeito. Ouvi atentamente e falei com ela que na minha opinião pai é aquele que cria e considerava meu pai. . Minha mãe coloca-me o nome das pessoas e que estariam vivas daquela época os quais eram doidos para me conhecer. Pouco mais tarde D. Jonia veio a falecer um acontecimento que abalou cada um de nós de uma forma diferente. As manas se aproximam mais uma da outra para tentarem ver se conseguem suprir a falta dela. Meu pai sente só e acha melhor vender as terras e ir morar nas casas de Gláucia e Raquel.
Ficou para mim era um dinheiro bom mas pequeno para se montar o meu negócio. Telefonei para o professor João lhe contando o que acontecera. Ele me disse que ainda estaria de pé seu convite de morar e trabalhar em Chapecó.
Conversei com Rose a idéia de mudarmos para Chapecó, coisa que no começo ela esboçou uma certa resistência, mas acabou cedendo e viajamos para Chapecó.
Desde o início ficamos encantados com sa cidade e procuramos logo o amigo João Mello, para que ele nos levasse ao hotel que de antemão pedi para que fizesse a nossa reserva. Até brinquei com ele dizendo que não precisaria ser um 5 estrelas poderia ser um 3 estrelas mesmo conservado, nisso ele morreu de rir.
O encontro com o amigo foi cheio de abraços tipo pai para filho. Apresentei-lhe a Rose, pois ele ainda não a conhecia porque quando casamos ele já estaria aposentado e voltado para Chapecó e na época do matrimônio me disse que não poderia ir, mas fez questão de mandar um belo presente. João só soube do nosso horário de chegada quando já estávamos lá, fizemos isso para não dar trabalho. Ficou triste com isso, mas aceitou por ser ele uma pessoa extremamente sensata. No traslado para o hotel, ele nos dá um panorama breve de Chapecó . Dizendo que: A fundação 25 de Agosto de 1917. Distância até a capital 555 quilômetros. Sua população 180000 habitantes e o clima temperado.  Chapecó é um município brasileiro do. Considerada a capital brasileira da agroindústria. Chapecó se localiza no região Oeste Catarinense, na inserção da bacia hidrográfica do Rio Uruguai, cujo curso define a divisa com o estado do Rio Grande do Sul.. A origem etimológica de seu nome provém do tupi Chapecó, que significa "lugar de onde se avista o caminho da plantação".
A colonização substancial ocorreu quando os desbravadores se estabeleceram para explorar os recursos naturais, em especial a araucária. A madeira retirada das florestas era transportada em balsas, nos períodos de cheia do rio Uruguai, até a Argentina, onde era comercializada. Esse impulso atraiu colonos oriundos do Rio Grande do Sul, que fundaram "Chapecó", em 1917. Por volta de 1940, iniciaram-se os grandes fluxos de imigrantes, provenientes do Rio Grande do Sul, de etnia alemã, italiana e polonesa. Esses colonos e seus descendentes seriam os responsáveis pela caracterização da cultura e da arquitetura européia atualmente presentes em Chapecó.
População 93 % Urbana  7% Rural.
O município de Chapecó é a cidade pólo desta região do estado, onde existem cerca de 200 municípios, que juntos somam mais de 2 milhões de habitantes, nesta região do estado estão também as sedes das principais empresas processadoras e exportadoras de carnes de suínos, aves e derivados da América Latina. A cidade conta com aeroporto, confortável rodoviária com linhas para todas as cidades catarinenses e principais cidades brasileiras. O Aeroporto Municipal Serafin Enoss Bertaso está em vias de internacionalização, Destaca-se o Distrito Industrial, com área de 484 mil metros quadrados e o Recinto Especial de Despacho
Com, 2 hospitais regionais, 2 emissoras de televisão, 4 de rádio FM e 2 de AM, 3 jornais diários locais e muitos outros ítens que caracterizam a responsabilidade regional de Chapecó, também está presente nos serviços especializados que a cidade oferece a toda a região, nas mais diversas áreas.
Chapecó conta com boas áreas para práticas desportivas. A cidade já se destacou no cenário nacional com grandes equipes de volêi e de handebol. A equipe de futebol de salão da cidade disputa a liga nacional. A cidade conta ainda com um dos melhores autódromos em pista de terra do estado de Santa Catarina, e sedia duas etapas do estadual de automobilismo e eventos automobilísticos regionais.
Monumento “O Desbravador” Situado no perímetro urbano, foi inaugurado em 25 de Agosto de 1981 com o objetivo de homenagear os primeiros desbravadores que colonizaram e construíram o Município. É uma figura de um gaúcho empunhando um machado, simbolizando o trabalho. Na mão esquerda está um louro simbolizando a conquista e a vitória.
Praça Coronel Bertaso Localizada no centro da cidade, a Praça Coronel Bertaso é um espaço agradável que contempla história, cultura, lazer e descanso. Ao mesmo tempo em que conta a história do ciclo da madeira, primeiro ciclo econômico e cultural de Chapecó entre as décadas de 1920 e 1950, através de um mural feito em argamassa de concreto
Catedral Santo Antônio localizada no centro da cidade, a construção foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1956, possuindo 02 torres com 40 metros de altura. O incêndio da Catedral Santo Antonio, na década de 50, foi motivo de linchamento de forastareiros considerados os culpados. Esse episódio marcante para a cidade e nunca foi completamente esclarecido.
Temos ainda a Capela de São Carlos a
Colônia Bacia A comunidade de Colônia Bacia teve seu início em 1947 com ‘a chegada dos primeiros colonos, procedentes do Estado do Rio Grande do Sul, sendo a maioria de origem italiana e praticante da religião católica. O nome Colônia Bacia foi dado devido ao relevo da região. A capela segue o modelo arquitetônico em estilo franciscano, edificada em madeira e telhas de zinco.
O Mirante da Ferradura, a Gruta de Sede Figueira e a capela de Nossa Senhora de Lourdes. Esses são alguns pontos de chapecó
Depois do almoço apetitoso o amigo nos leva até nossas novas acomodações. Era um hotel pequeno de quatro andares só, mas bem arrumado. Não podia me queixar de nada, Rose adorou o nosso canto naqueles dias. O cansaço era grande pela maratona  feita naquele dia e apagamos só acordando no dia seguinte.
Na manhã daquele domingo, resolvi depois de ter pensado ligar para a família que reside lá e que não conhecia em Chapecó, pois me deu uma vontade sem explicação de contatar com o povo. Peguei o telefone para discar senti o meu coração bater mais acelerado, conclui que deveria ser a emoção falando mais alto. Achei melhor deixar quieto toda essa história tanto que nem com Rose comentei este fato.
No decorrer da semana estive com o João quase o tempo inteiro conversando com os amigos dele nas empresas agroindustriais, sendo que o empresário da Rabicó Associados menciona que estava precisando de um funcionário daquele perfil igual ao meu para começar de imediato. Senti firmeza nele e na empresa e era um trabalho que sempre gostei de fazer e não sentia nenhuma dificuldade para faze-lo. Coloquei-me a disposição dele, para uma conversa mais direta sobre esta vaga e sendo amigo pessoal do João a admissão foi imediata. Não via a hora de retornar para casa para contar a novidade para Rose. Quando contei a novidade para minha mulher foi só alegria e fizemos planos. O João me deixou mais sossegado ainda quando falou que poderia ficar tranqüilo quanto  a   seriedade da empresa por conhece-la há anos.
Ficamos no hotel o tempo de arrumarmos um local que fosse nosso para morar coisa que não demorou muito, pois o governo estadual estava oferecendo condições especiais na compra de um apartamento na região de Chapecó para tornar mais fácil a compra da casa nova. Rose e eu preferimos comprar uma casa na parte mais alta da cidade onde podia vê-la em detalhes. Minha mulher é muito comunicativa e logo depois que estávamos na casa já se tornara amiga íntima da vizinha que tinha o apelido de Branquinha eu mesmo nunca soube o nome dela, mas,  é uma excelente pessoa do tipo pau para toda obra. Foi ótimo a Rose ter feito essa amizade para ser companhia naquela cidade ainda estranha era o que pensava, mas eu mesmo não sabia que as duas tinham o mesmo gosto em tudo até no que diz respeito a pintura em tela, onde as meninas eram artistas com o pincel na mão. Dai para frente pensei que a minha vida tinha tomado rumo, mas ainda não sabia que não tinha começado.
Certo dia quando chego em casa encontro Branquinha com o semblante assustado, ai me sobe uma emoção ruim e indago por Rose. Ela começa dizendo que a Rose começou a passar mal então correram para um hospital credenciado do meu plano de saúde. Ela foi atendida por um clinico geral que no seu parecer falou se tratar de uma sinusite forte,  deu-lhe remédio onde ficou mais fraca e mandou procurar um otorrino. Agradeço a Branquinha pela dedicação e ajuda a Rose e que tomaria conta dela  dali pra frente.
Quando acordou no outro dia dizia estar bem melhor, mas que não entendera o que aconteceu. Comentei com ela o que a Branquinha me disse e pedi para procurar um otorrino onde pudesse fazer uma consulta. Mesmo ainda não estando 100% bem me colocou que não tinha nada disso e que não iria fazer, pois não tinha nada só um mal estar. Ela foi tão objetiva que acabou me convencendo com a sua conversa, pois nunca me mostrou ter alguma coisa.
Continuamos a nossa vida como sem nada tivesse ocorrido eu com tempo e pelo meu conhecimento subi na empresa e já chefiava a gerência  operacional do grupo quando a secretária me chama dizendo para ir ao hospital, pois minha mulher estaria lá. Saí voando em direção do hospital, mil idéias diferentes passavam pela minha cabeça e não sabia a qual me agarrar. Tudo naquela tarde não conspirava a favor: o táxi que não passava  as ruas lotadas de carros situação incomum num dia normal isso ajudava ainda mais o meu sofrimento. Por fim graças a Deus cheguei e corri para recepção querendo saber noticias da de Rose nisso D.Benedita que era uma das atendentes se aproximou logo para saber o que me afligia lhe expus o caso na hora foi para o computador para me passar a informação exata. Rapidamente volta dizendo que a minha mulher estava internada com problemas que na região ser comum de acontecer com pessoas oriundas de outros estados que seria uma alergia a temperatura mais baixa. D. Rose estaria fazendo exames complementares para se ter uma visão mais detalhada do problema.
O hospital me passava tranqüilidade passou a ser um lugar frio sem vida enquanto aguardava alguma coisa de mais concreta. Parecia que iria gastar toda a sola do meu sapato de tanto andar de um lado para outro numa ansiedade só. Chega um médico perto de mim e se apresenta dizendo que se chama  Milton e que era o otorrino chefe do hospital. Pediu-me para acompanha-lo ao seu consultório e eu louco para saber noticias da Rô  fui. Foi bem claro nas suas explicações sobre o caso, dizendo que ela possui incompatibilidade com o clima frio. O mal estar que ela passa é em função disso, e não pode ter essa seqüência de ataques como ela estava tendo, pois podia levá-la a morte repentina.
Aquela noite ela ainda deveria permanecer no hospital mais para avaliação do quadro e que deixaria para pegá-la no dia seguinte logo cedo.
Comuniquei ao meu superior o que estava acontecendo e ele me deu carta branca para resolver tudo e em primeiro lugar, pois era a saúde da Rose.
De madrugada não conseguia fechar os olhos de tanto pensar o que fazer mediante tudo aquilo que acontecia. O telefone ressoa alto, o hospital pedindo a minha presença e não falaram mais nada. Pedi um táxi por telefone que custou a chegar por causa do horário e fiquei ansioso demais. Na hora que peguei o táxi pedi para o motorista ir o mais rápido possível. Parece ter percebido alguma coisa e disparou pelas ruas de Chapecó. Logo em seguida deixava o seu carro e me rumei a portaria, minha cabeça pirou ao ver o Dr. Milton na recepção também. Quando falava meu coração cada vez mais apertava. Ele diz que Rose teve outra crise quando estava sendo motorizada, mas mesmo assim não teve condição de salva-la.
As lágrimas desceram do meu rosto com facilidade, mas sabia que teria de me manter sóbrio, pois éramos só nós dois ali construindo uma história e tinha de tomar todas as providências necessárias.
Perguntei ao Dr. Milton se no hospital faria o embalsamo do corpo para poder ser transportado para o interior de Minas Gerais. No que ele falou que seria uma coisa normal de ser feita no hospital, enquanto o atestado óbito ele também faria para ser levado aos lugares competentes. Nesta hora telefono para meu pai e minhas irmãs contando o fato  e pedi para arranjar o velório da cidade para ser levado o corpo , pois este já estaria sendo embalsamado no hospital e que estaria vendo o seu transporte até Além Paraíba. Já pela manhã liguei para a Branquinha lhe comunicando a situação. Sinto que ficou triste e dava para se ouvir os soluços de quem estava chorando pela notícia, pois tinha em Rose uma grande amiga que partira. Comentei com ela que o corpo estaria sendo embalsamado. Nisso ela me falou que não agüentaria ver a amiga morta, pois queria lembra-la como sempre foi cheia de vida.
Aproveitei esta tempo para ir em casa tomar um banho e passar na empresa e expor o que passava. Fiquei bobo de ver como notícia ruim corre o pessoal da empresa já sabia do falecimento de Rose e todos vieram me dar seus sentimentos. Ao conversar com o gerente ele veio me dizer que a empresa deixaria o avião comigo  para que pudesse levar o corpo e que se quisesse me aguardaria lá para levar-me de volta. Agradeci e achei ótima a idéia. Da empresa contatei o Helinho piloto da firma no aeroporto e falei que estaria no lá com o corpo ao meio dia para que pudéssemos viajar. Ele me deu os pêsames pela perda da esposa e coloca-se a minha disposição. Do celular entrei em contato minha irmã falando que deveria chegar as quinze e trinta e gostaria de enterra-la naquele dia mesmo, falou fazer o possível, mas não garantiu nada. Pousamos as 15 horas e vinte minutos no aeroporto de Além Paraíba quando desligamos o avião o carro funerário encosta para recolher o corpo. Em seguinte dirigimos para o velório, Rose não tinha mas ninguém, pois quando ela deixou Além Paraíba os seus pais já teriam falecidos, mas me pediu várias vezes que quando morresse gostaria de ser enterrada perto deles coisa que lhe prometi. Meus familiares me cercaram me abraçavam expressando os seus sentimentos.
Foi duro recordar tantas emoções que passei  ali no decorrer da minha vida quanto mais eu lembrava sentia meus olhos encherem d’água. Nesta hora todos viam a cena e me abraçavam mesmo sem entender o que acontecia. Achei melhor voltar no dia seguinte para Chapecó, pois lá teria muita coisa para fazer. Agradeci ao Helinho a força que me deu, chegando em casa separei as roupas de Rose as encaixotei e fui até uma instituição para doar essas peças, pois quando as visse me sentiria pior porque estava ali um belo pedaço da minha vida e por outro lado seriam um começo para  quem recebesse. Daí em diante a solidão foi minha eterna companheira por muito tempo. É comum as pessoas mudarem com o tempo, e  comigo não foi diferente e passei 5 anos quando achei melhor dá um basta na minha tristeza.  Depois quando começo a sair freqüento lugares religiosos, pois queria me apegar a uma religião por achar que faz parte no coração de  qualquer pessoa independente de qual fosse.
Eu,  adoro esportes seja ele qual for e vibro do começo ao fim do jogo. Numa noite de outono fui assistir um jogo de vôlei feminino. Já no iniciar do segundo set vejo que aquela loira ficar mais entusiasmada do que antes e não entendia o porque. No saques que seria dado ouvi a mulher gritar acerta filha, daí para frente comecei ver a semelhança entre as duas e cheguei a conclusão que deveriam ser parentes pela maneira que a senhora dizia.
No dia seguinte o diretor da empresa me chama para passar e pedir orientação sobre alguns itens que lhe mandei. Dei-lhe todas as explicações sobre o relatório que lhe passei. Nisso ele me pediu para conhecer o Frigorifico Teives, pois a Rabicó Associados tem vontade de compra-lo, mas gostaria da opinião de um técnico experiente para dar um parecer sobre o assunto, pois envolvia muito dinheiro.
Deixei a visita para fazer na manhã seguinte por estar mais tranqüilo e com a cabeça já voltada para o assunto. Lá pelas dez horas chego ao Frigorífico Teives e peço a Liliane, secretária para me anunciar para o Sr Glauco Abramo falando que era Yan Carlo da parte empresa Rabicó Associados. Logo fui recebido pelo Sr Glauco, estaria e também outros membros da família Abramo. Fomos conhecer as instalações da empresa para poder ver o real estado da mesma. Após este tour tive uma boa visão do estado foi desgastante, mas valeu a pena.
Voltando a para a sala da diretoria Liliane, secretária do Sr Glauco comenta que a D.Ivone,  sua  irmã estaria a espera dele lá dentro. Entramos para pegar certos documentos que também seriam importantes para serem avaliados. Fito a mulher e vejo e lembrei-me dela perto de mim no jogo de volei no ginásio dias atrás. Permaneci na minha para ver qual seria a reação dela, num primeiro instante nada aconteceu. Depois disso vi a troca de cumprimentos  dos irmãos, o Sr. Glauco convida a todos para assentarmos na grande mesa redonda no centro da sala, para que a empresa pudesse me passar a sua proposta para ser levada à Rabicó Associados. Por pura coincidência sentei em frente a Sra Ivone e no decorrer do assunto comercial ela sem ter nem porque diz que me conhecia, mas não sabia de onde? Para não atrapalhar a conversa falei que depois a explicaria e ela fez sinal de positivo.
A sorte da Frigorífico Teives, uma empresa familiar, foi colocada nas minhas mãos e podia ver na feição de cada um a perda de algo valioso.
Nos despedimos e fui para pegar um táxi, quando aguardava. D.Ivone, pára o carro e me oferece carona até a Rabicó Associados, nisso comentei que me conhecia da partida de volei que ela teria ido assistir dias atrás. Balançando a cabeça como quem concordasse com que falei Perguntou-me porque estava sozinho no ginásio. Respondi-lhe que era viúvo já algum tempo e não tinha filhos. Ela comenta que é separada e que já era avó de uma linda menina então falei que ela era jovem demais para já ser avó e que não acreditava o que ela riu envaidecida. Conversamos pouco, pois o trajeto não era grande, mas deu para sentir que era uma doce pessoa bem risonha.
Cuegei na empresa procurei o Sr. Marcos, um dos diretores para lhe expor o apanhado do Frigorífico Teives, só que D. Cristina sua secretária informou que sairia e que não voltaria mais naquela tarde então voltei para minha sala e despachei o resto dos documentos que estavam pendentes.
Pela primeira vez depois de muito tempo uma mulher consegue mexer comigo de uma forma diferente coisa que até estranhei de acontecer por achar que não conseguiria gostar de verdade de mais ninguém, mas me enganei e descobri que tudo na vida tem o seu próprio momento de acontecer seja bom ou ruim por isso fazer parte da evolução de cada um. Era uma situação inesperada e diferente que comecei a passar e sou tímido demais nesses assuntos e via despontar em mim a tal da ansiedade.
Na manhã seguinte, volto a procurar o Dr. Marcos na empresa para lhe passar o que foi pedido por ele. Depois de ler tudo cuidadosamente perguntou-me a minha opinião pessoal da empresa visitada, nisso lhe fiz uma pergunta para qual o real motivo da compra da empresa Frigorifico Teives ele respondeu que seria para implantação de novos produto que a Rabicó tem em mente colocar no mercado o mais breve possível, pois o consumidor esige esta diversificaçao. Concordando com sua resposta falei que vale o que se pede, mas como comum em todo brasileiro que dê uma choradinha no preço para se tentar um desconto na operação. Ele sorriu com minmha resposta falando que seria só eu para dar uma resposta dessas e apertamos as mãos.
Dr.Marcos me pede para fazer o acompanhamento dessa compra, pois ele deveria se ausentar uns dias da empresa e que gostaria que quando voltasse tudo estivesse resolvido. Disse-lhe sem problemas, pois era acostumado a fazer isso e seria mais uma ser feito.
Por ser a compra de um valor alto e cheios de documentação tive de ir várias vezes ao Frigorífico Teives buscando e levando papéis. Em função disso estive várias vezes com a Ivone coisa que para mim era bom, pois me deixava como um jovem adolescente no seu primeiro balançar do coração, mas nunca lhe falei do que sentia, deixando rolar só pra mim.
Quando o D. Marcos chega está tudo pronto como foi solicitado. A minha vida agora é outra ser sozinho e gostando de uma bela cinquentona catarinense.
E o Yan continua só....

 
 


Escritordsonhos
Enviado por Escritordsonhos em 26/05/2009
Código do texto: T1616378

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Sobre o autor
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