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O Mano bom

Conto

O Mano bom


Há muitos anos, havia um país onde viviam dois irmãos, eram completamente diferentes um do outro, um, o mano mau, vivia só par fazer maldades às outras pessoas, só ficava contente quando conseguia fazer mal a alguém, o outro, o mano bom, era precisamente o contrário, vivia para espalhar o bem, só se sentia feliz quando conseguia ajudar alguém.
Um dia, o mano mau foi ter com o mano bom e disse-lhe:
- Olha lá, tu já viste, que todo se aproveitam da tua bondade? Tens mas é de fazer como eu, deixares de t importares com os outros e pensares mais em ti.
O mano bom respondeu unicamente:
- Consegues ser feliz assim?
- Ser feliz, o que é lá isso de ser feliz?
O mano bom resignou-se, ele sabia que nunca conseguiria mudar o modo de viver do irmão, contentava-se em o ir desculpando perante as pessoas a quem ele magoava e ofendia.
Passados dias o mano mau foi ter com o mano bom e disse-lhe:
- Mano, estou desgraçado.
- Desgraçado porquê o que é que e aconteceu?
- Meti-me numa trapalhada e agora estou desgraçado.
O mano bom que não podia ver ninguém mal, muito menos o seu próprio irmão, disse-lhe:
-Oh Homem, senta-te e conta-me o que se passa.
- Mano, preciso urgentemente de uma grande quantidade de dinheiro, tenho uma divida e ameaçam matar-me se não pagar.
- Mas quanto homem?
 Mano mau disse-lhe quanto e o mano bom fico incrédulo, onde iriam arranjar tanto dinheiro.
- Mano, o que acabas de me contar é e facto complicado.
- Tu é que me podias valer, toda a gente gosta de ti, podias pedir no banco e eu ia-te pagando.
- Não, o banco não me empresta tanto dinheiro.
- Podias ao menos tentar, promete-me que tentas. Só tu me podes salvar a vida.
O mano mau sabia como enganar o mano bom.
- Está bem, prometo-te que vou ao banco, mas não te prometo mais nada.
- Obrigado mano, eu sabia que não me virarias as costas. Agora tenho de ir falar com o tipo a quem devo o dinheiro.
Saíram ambos, o mano bom em direcção o banco e o mano mau em direcção ao encontro de um homem.
- Então, conseguiste enganá-lo?
- Claro, caiu que nem um patinho, vais ver que não tarda muito temos o dinheiro para ir festejar o fim de ano como nunca festejámos.
- Podes acreditar, isto é que vai ser, tudo do melhor.
Passados poucos dias mano bom lá conseguiu o desejado empréstimo e assim que recebeu o dinheiro apressou-se a entregá-lo ao mano mau. Quando soube que tudo não passara de mais uma mentira do irmão ficou em pânico, ele tinha ido embora, desaparecera e agora quem pagaria o empréstimo? Bem talvez o irmão voltasse rápido, o seu bom coração não lhe deixava pensar mal de ninguém.
Foi precisamente no dia seguinte de ano novo que a notícia chegou, o mano mau morrera, tinha apanhado uma grande bebedeira e caíra ao mar, não conseguiram resgatar o corpo. Estava desgraçado, como iria pagar o empréstimo? Pensou em suicidar-se, preparou uma corda e fez o laço, atirou-a sobre a viga da velha casa e preparou-se para o desfecho final, subiu ao banco, colocou a cabeça entre o laço e…
Aquelas três pancadas na porta acabaram por lhe salvar a vida.
- Amigo, tu! O que estavas a pensar fazer?
O mano bom acabou por contar a sua desgraça ao amigo providencial.
- Tu vens comigo para minha casa, logo arranjaremos uma maneira de resolver o problema.
O mano bom aceitou a ajuda, estava completamente desorientado. Caminharam rua abaixo e passaram defronte de uma casa de apostas:
- Espera só um pouco, tenho de ir ali buscar uma cautela que tenho ali guardada. Sabes, há anos que jogo com o mesmo número, nunca me saiu nada de jeito. Vai ser a ultima vez que jogo.
- Qual quê, amigo. Há quanto tempo tu jogas?
- Desde que me conheço como homem adulto e independente.
- E nunca te saiu nada?
- Bem, na verdade nada de jeito. Mas tenho fé, afinal até estamos em época de Natal.
Lá foram, entraram e o amigo disse ao mano bom:
- Não queres fazer sociedade comigo?
- Desculpa, mas eu só trago azar. Esse número é teu. Não me leves a mal.
O amigo virou-se para o dono da loja e disse-lhe:
- Escolha-me aí outro número.
Pagou os dois bilhetes, guardou o seu no bolso e estendeu o outro ao amigo:
- Toma, é a minha prenda de Natal atrasada.
O mano bom ainda tentou recusar, mas o outro insistiu, tinha acabado de lhe salvar a vida, não podia ser ingrato.
Passaram-se os dias e o mano bom nunca mais se lembrou da lotaria. A sua preocupação não lhe deixava espaço na memória para pensar em mais nada que a sua divida. O amigo fizera-o jurar que não voltaria a pensar em se suicidar.
- Amigo, amigo, já ouviste os comentários que andam aí pela aldeia?
 - O que foi homem, sentes-te mal? Quais comentários?
- Não meu amigo, sinto-me muito bem. Tu estás milionário, tu acertaste na lotaria. Tu tens o teu problema resolvido.
O mano bom nem queria acreditar no que ouvia:
- Eu! Eu não joguei em lotaria alguma. Enlouqueceste?
- Não amigo. Lembras-te do bilhete que te ofereci? Tens o 1º prémio.
- O quê! Tu só podes estar a brincar comigo.
- Achas que sou homem de brincar com coisa tão séria? É isso mesmo que ouviste. Passei, agora, pelo centro da aldeia e soube que o teu bilhete foi premiado com o 1º prémio. Tens o teu problema resolvido.
- Não! Mesmo que isso fosse verdade, nunca poderia aceitar esse dinheiro. Tu é que pagaste o bilhete.
- Sim, mas só o comprei para to oferecer. Agora percebo porque nunca me tinha saído nada, andei a amealhar para quando fosse preciso.
O mano bom ajoelhou-se, ergueu os olhos ao céu e disse:
- Obrigado meu amigo. Obrigado meu irmão, se não fosses tu, nada disto me estaria a acontecer.
Levantou-se, abraçou o amigo contra si e passado um pouco colocou-lhe as mãos nos ombros, olhou-o nos olhos e disse:
- Há aí uma coisa que não bate certo.
. O que é que não bate certo, homem?
- Tu disseste que eu estou milionário e que o meu problema está resolvido.
- Sim.
- Não.
- Mas como não?
- Eu não, nós estamos milionários e os nossos problemas financeiros estão resolvidos, tu ajudaste-me na pobreza e eu não te iria abandonar na riqueza.
Levantaram, ambos, as mãos ao céu e exclamaram:

“Amigos na pobreza, amigos na riqueza”

Moral da História:

“É na necessidade que se vê o valor da amizade”


Francis Raposo Ferreira
FrancisFerreira
Enviado por FrancisFerreira em 28/12/2012
Código do texto: T4057676
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
FrancisFerreira
Portugal, 62 anos
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