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Futuro? Amor

Futuro! Amor

Suzana amava Júlio mais que a tudo, mesmo mais que a própria vida. A jovem não hesitara em deixar o aconchego da casa paterna para ir viver com Júlio. Que ninguém ousasse dizer mal do companheiro, pois se o ouvisse, era certo que logo saltaria, qual mãe em defesa das suas crias, para defender o seu amado. Susana entendia que só a ela diziam respeito os comportamentos, e as atitudes, de Júlio para consigo, não permitia que, fosse quem fosse, se intrometesse na sua vida com o homem da sua vida, nem mesmo à sua família. Quantas vezes, sua mãe, lhe dizia que aquilo não era vida para ela, que qualquer dia, Júlio, a deixava e ela é que sairia machucada daquela relação.
Suzana, apesar de viver com o homem dos seus sonhos, não era uma mulher feliz, ou pelo menos não o era na plenitude da felicidade. Sempre sonhara casar, se possível vestida de branco, mas Júlio teimava em não lhe fazer a vontade, respondendo-lhe rudemente, sempre que ela aproveitava alguma oportunidade para falar do assunto:
- Já sabes que sou contra essa caretice do casamento. Nunca te disse que queria casar contigo, tu é que insististe em vir viver comigo.
- Júlio, não te chateies comigo, só falei do casamento porque a Andreia puxou o assunto à baila.
- Pois, pois. Sei muito bem como é. Nunca queres dizer nada, mas estás sempre a falar na merda do casamento. Começo a ficar farto dessa conversa.
- Pronto. Não te chateies comigo.
Os meses passam-se, Susana, sente-se cada vez mais sozinha, longe da família e sem qualquer tipo de atenção por parte de Júlio, continua a tudo fazer para que nada falte ao seu amado:
- Júlio, disseram-me que te viram, no jardim, a passear com uma miúda. Parece que é mesmo esse o termo certo, pois parece que era mesmo uma gaiata. Quem era?
- O que é que estás para aí a dizer? Com uma miúda, eu? Olha se calhar alguma que vive com a obsessão de casar. Quem é que te foi dizer? Se calhar a mesma pessoa que te viu com o brutamontes do Nuno, no café.
- Júlio, tu bem sabes que o Nuno é nosso amigo. Fica sabendo que já não é a primeira vez que te vêem com essa miúda. Não tens o direito de julgar o Nuno só por aquilo que as pessoas dizem.
- Ora, ora. Toda a gente sabe o amor de marido que ele é, uma verdadeira besta, tanto para a mulher como para os filhos.
- Júlio, a vida do Nuno e da Esther não me interessa. Diz-me, quem é essa miúda.
- Ora quem é! É uma amiga, gosto de passear com ela. Algum problema?
- Olha, comigo não passeias tu.
- Podes sempre pedir ao teu amigo Nuno que te leve a passear, isto se ele souber o que é passear com uma mulher.
Júlio vive como se Suzana não existisse, começa a chegar tarde a casa, fecha-se na pequena saleta e, não raras vezes, acaba mesmo por dormir no sofá ali existente. Suzana sente-se, completamente, desorientada, vive na casa que é pertença de um homem que a despreza, não se deixa iludir mais, Júlio já nem no campo sexual a procura. Organizou toda a sua vida profissional em função daquele amor, longe da sua família e agora vê-se sem ninguém que lhe possa valer. Não poucas vezes, Júlio, lhe atirou em cara, o facto de a casa ser dele e ela ser uma pessoa não desejada na mesma. Quantas noites, Suzana, chorou de dor ao sentir-se humilhada com o facto de saber que Júlio se divertia, com a tal miúda, naquele quarto que um dia já fora seu, naquela cama onde ela se entregara, por puro amor, ao único homem que houvera conquistado o seu coração:
- Suzana, não sei se sabes mas a Esther abandonou a nossa casa e foi viver com o Luís, se quiseres posso arranjar-te um quarto, pelo menos até que resolvas a tua vida. Pensa bem, isto não é vida para ti. Tu mereces ser feliz. Vou dizer-te uma coisa, sinto um fraquinho por ti, mas podes estar à vontade, não penso aproveitar-me da tua situação para atingir os meus objectivos. Podes ficar descansada.
Suzana acabou por aceitar a oferta do amigo, era-lhe impossível continuar com a vida que levava, já por várias vezes pensara em pôr fim à vida, faltara-lhe a coragem para ir em frente. Temeu que Nuno, até pela fama que tinha, se estivesse a fazer de cordeirinho e depois se revelasse como um verdadeiro lobo desejoso de a comer. Arriscou.
Os meses passaram, Nuno manteve sempre a sua palavra, nem uma única vez. Ele, tentou tirar proveito do facto de Suzana viver em sua casa. Suzana recuperara a alegria de viver, enquanto Júlio ia saltando de namorada em namorada:
- Suzana, peço-te que me perdoes. Eu sei que te feri muito, mas ainda não consegui encontrar uma namorada que me ame tanto como tu me amaste. Aceitas voltar a viver comigo?
- Júlio, tu estás a pedir-me que vá viver contigo enquanto não encontras essa namorada? E depois, quando a encontrares? Mandas-me outra vez embora? Sinceramente, pensava que te conhecia melhor. Não Júlio. Eu já não sinto nada por ti, eu amo outra pessoa.
- O Nuno. Acho que fazes muito bem, deixa que ele te sinta segura e logo vês. Tu estás completamente enganada, ele não presta para nada.
 - Júlio, não te admito. O Nuno é um verdadeiro senhor. Podes não acreditar, mas até hoje, nunca tentou nada comigo. Entendes? Nada!
- Não vais pensar que todo este tempo ainda não te saltou para cima. Olha que dois, tu que não sabes viver sem sexo e ele que é um verdadeiro animal. Mas está bem. Olha, podes dizer-lhe que não perdeu nada de jeito, a Esther não é grande coisa na cama.
- És um porco, como foi possível que eu te tenha amado como te amei?
- Talvez porque nunca encontraste ninguém que te satisfizesse como eu.
- És asqueroso.
Suzana viveu mais algum tempo em casa de Nuno:
- Nuno, beija-me.
- Suzana, tens a certeza?
- Sim. Hoje quero entregar-me a ti.
- Porquê hoje?
- Porque, hoje, concretizei, um dos meus sonhos, assinei a escritura de compra da minha casa. Agora quero concretizar outro, ser tua.
- Mas porquê só agora?
- Porque nunca quis que pensasses que o fazia por gratidão. Também quis ter a certeza dos meus sentimentos por ti.
Suzana viveu uma noite como nunca vivera com Júlio. O futuro pertencia-lhes.


“ O carácter de uma pessoa não é algo que dependa de julgamentos populares”


Francis Raposo Ferreira
FrancisFerreira
Enviado por FrancisFerreira em 30/12/2012
Código do texto: T4060170
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Sobre o autor
FrancisFerreira
Portugal, 62 anos
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