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DIÁRIO DE UMA GORDINHA - Cap. 2

Sabe aquele dia que tem tudo para ser igual aos outros? Depois de um final de semana divertidíssimo com minhas amigas Paloma e Roberta, estava na hora de encarar novamente o batente. Saltei da cama precisamente às 6 h e 30 mim da manhã, tomei um banho relaxante e parti direto para a cozinha. Duvido que eu encontre alguém com mais apetite do que eu logo cedo; aliás, eu sinto fome o dia inteiro. Meia hora mais tarde eu já estava dentro do carro, encarando um trânsito do cão. Estava um pouco atrasada. Sou secretária do cara mais chato que se tem notícia. Doutor André. Ele se acha o máximo. O Ser Supremo. Claro que muitas pessoas contribuem para que ele seja assim, inclusive eu. Yes, people! Eu sou uma enorme puxa-saca! Graças a este dom fui promovida recentemente e consegui comprar meu carro zero.

A empresa ocupa um prédio inteiro de cinco andares, coisa phyna. Eu trabalho no último andar, na sala da diretoria. Dizem que quem é grandão trabalha no topo e, por causa disto, enfrento alguns olhares tortos. Beijinho no ombro. Naquela segunda-feira percebi uma agitação diferente quando entrei no prédio. Na recepção as meninas estavam alvoroçadas, mal cabendo em si nos seus uniformes sóbrios e bem apanhados. Quis perguntar o motivo de tantos risinhos, mas o elevador chegou primeiro. Parei no quinto andar depois de ter conferido meu batom vermelho, o cabelo louro e a espinha infeliz que saiu no meu queixo, resultado da quantidade monstro de chocolate que comi durante todo o final de semana. Saí satisfeita do elevador. Não seria uma espinha idiota que me derrubaria.

Avancei pelos corredores e estranhei não encontrar minhas colegas nos seus postos. Ué... muito esquisito. Será que eu havia errado o horário e chegado cedo demais? O mistério chegou ao fim quando me deparei com cinco delas amontoadas na sala da Virgínia. Todas excitadas, se cutucando, aos risinhos. Mas que tanto as mulheres daquela empresa riam?

Não tive nem tempo de abrir a boca. Larguei a bolsa sobre a mesa da Virgínia e antes que eu formulasse a pergunta fatal, ela despejou uma torrente de tesão recolhido pra cima de mim:

- Estamos de colega novo!

Grande novidade. Sempre tinha alguém entrando ou saindo da empresa. Era só o doutor André implicar e...

- Você precisa ver, Gi! - quase gritou a Cássia, praticamente se babando na minha frente.
- Será que vocês podem me contar o que está acontecendo? Já estou com urticária!
- Aírton! O nome dele é Aírton! - Bárbara, nossa colega mais discreta e praticamente uma virgem, mal podia se conter. - Ele é fe-no-me-nal!
- Cadê ele? - perguntei imediatamente, olhando para os lados. Me senti uma leoa farejando sua presa.
- Está no gabinete do Doutor André. Chegaram cedo, juntos e se trancaram lá dentro. Ele vai ficar no lugar do Silva.
Silva era o antigo assessor do Doutor André. Foi demitido por justa causa depois de passar uma cantada mal feita na esposa do chefe.
- Meninas, vou para meu posto - peguei a bolsa de volta rapidinho, ansiosa para ir a minha sala. Precisava ficar de prontidão para quando o tal do Aírton saísse da sala. - Depois eu conto as novidades para vocês.

Tentei caminhar calmamente até minha sala e apurei meus ouvidos. No gabinete escutei vozes, mas não consegui captar uma frase inteira. Sentei na cadeira, inquieta. Liguei o computador e fingi estar lendo atentamente um relatório. De longe, percebi a Cássia me fazendo um gesto desesperado perguntando pelo cara. Com outro gesto respondi que tudo estava na mesma. De repente escutei uma gargalhada, daquelas que dão vontade de rir junto. Eu já estava quase gargalhando também quando subitamente a porta do Gabinete do Doutor Andre se abriu.

Meu mundo nunca mais foi o mesmo.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 02/09/2015
Código do texto: T5367898
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
646 textos (48888 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/01/20 10:58)
Patrícia da Fonseca