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A Flor do Oriente IV

Parte IV
Quem ama sofre...

        Tornou-se, então, um mistério conhecê-la, não se sabia onde ela morava, mas possuía uma família exemplar, contudo, distante de uma proximidade. Trabalhava, não se sabia onde, também estudava e muito, vivia sonolenta e cansada, revelava tristeza profunda por alguma coisa indefinida. Sabina pertence a um mundo pequeno para ela, cujas tradições são avessas a sua ideologia, ela é poliglota, fluente, achava que o Brasil podia estar em seus projetos e mostrava conhecer os motivos que a norteavam.

        A partir dos diversos choques com Sabina, Flávio sempre procurou olhar nos fundos dos olhos dela para identificar firmeza nas conversas, ela sempre encarava com ternura e não desvirava o olhar, embora não gostasse que a admirasse indiscretamente enquanto se fazia ao volante. Certo dia ela revela que se apaixonou por um estrangeiro e sofreu pela indiferença, pela distância e falta de sintonia do relacionamento, não se sabe bem se fora casada e divorciada, no entanto, percebia que tinha algo mal resolvido no coração dela.

        Por conseguinte, Flávio fechava seus olhos para as besteiras que fazia e aguardou os pensamentos e as razões tomarem conta de sua lucidez. Não demorou muito e Sabina escreve uma mensagem dizendo que gostava de ler tudo que ele escrevia, que Flávio era mais que um amigo, mais que um professor e que ele devia deixar as coisas acontecerem, pois precisava de alguém ao lado dela. Como, em tese, afastar-se dessa menina se percebe que não é o momento de insistir em um romance sério? Talvez realmente era isso que ela queria saber, se ele era um homem capaz de entendê-la, reconhecer que um casal precisa estar em sintonia com os problemas e diferenças um do outro.

        Flávio trabalhava intensamente durante os dias da semana, sentia profundamente a falta de um contato com a Sabina, seu coração era todo dela. Dito isso, colocou de vez sua imagem no plano de fundo de seu celular, de modo que ela estivesse sempre à sua vista. Muitas horas passava olhando para o celular aguardando uma mensagem dela, mas nada, nem um oiii sequer, era muito sofrido perceber que amava Sabina. Certo dia, houve uma folga na semana, Flavio pede para vê-la quando possível, mas fica sem sinal minutos depois. Quando transcorrido dez minutos da mensagem que ele havia enviado retorna o sinal e recebe uma resposta dela, que de forma arrogante, como sempre, ficou indignada por ele solicitar sua presença mas não ter sinal para ver sua reposta, falava que mudaria de planos já que ele não estava online e ela não podia perder tempo.

        Não obstante, Flávio faz uso de todos os meios possíveis para buscar uma comunicação com Sabina, foram horas desesperadoras e descontroladas ligando, passando mensagens, entre outros. Até que ela responde calmamente para ele não fazer mais aquela cena lamentável de insistir em reverter uma decisão dela, falava que ele devia ficar não só dez minutos, mas dez dias ausente. Mais uma vez ela rasgava seu coração, perguntou se ele estava louco, contudo ela sabia que ele não reagiria de forma radical contra a ofensa, talvez ela manipulasse tudo o que ele sentia por ela, muitas vezes Flávio se perguntava como pode estar cego e indefeso por seu coração tomado de ternura e carinho por alguém que o hostilize tanto.

        No dia seguinte, ela diz oi e pede para sairem, sorri quando ele respondo que isso é tudo o mais quer. Marcaram uma corridinha e Flávio traz consigo uma camisa do Brasil com o nome dele e o número onze estampado, dia e mês que faz aniversário, pede desculpas por toda sua euforia pela paixão que sentia por ela. Flávio veste ainda uma camisa da seleção francesa, o que torna a noite a melhor possível. Foi muito agradável vê-la tão feliz, Sabina confessa que sentia-se como uma princesa, uma flor sempre regada e cuidada como uma mulher deve ser. Flávio realmente sabia que aquelas palavras flecharam seu coração com a certeza de que ele estava amando intensamente alguém que nunca tenha tido um beijo, entrelaçado os dedos nas mãos  ou apalpado seu corpo como os casais enamorados.

Flavio Gomes
Enviado por Flavio Gomes em 13/01/2019
Reeditado em 17/01/2019
Código do texto: T6550295
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Flavio Gomes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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