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A Flor do Oriente V

PARTE - V
“Amar é ter com quem nos mata, lealdade...”

        Dias depois de todo essa sintonia equilibrada as energias e adrenalina estão intensas, então Flávio volta a correr, pedalar e nadar por um dia inteiro, cerca de umas seis horas ininterruptas na orla de Beirute, drenando toda euforia, era um prazer saber que ele era capaz de “dar-se sem pensar em receber”, frase que, muitas vezes, fazia parte das angústias das mulheres que passaram em sua vida.

        Ao fim da tarde do citado dia atlético, Sabina pede para correrem juntos, o pedido atendido seria um sacrifício, logo, ele diz: hoje não, por favor, que preferia apenas conversar, como de praxe, ela imediatamente responde: até mais tarde! Não quero um homem sem energia ao meu lado! Sabina não sabia lidar com o não, tinha pavio curtíssimo e explodia fácil, mostrava que ninguém decide o que querem na vida dela. Era difícil dialogar para explicar os motivos de um posicionamento ou negação. Gigantesca era a curiosidade que o Flávio tinha em vê-la atuando numa corte, poder apreciar essa menina fazer uso do poder que emanava naturalmente de forma segura e lógica, sua inteligência emocional derruba qualquer barreira, não era fácil vencê-la, ela sempre estava à frente das razões.

        Minutos depois, Sabina retoma o contato e refaz a pergunta, já sabendo a resposta, ela se encontrava no local combinado, onde Flávio estava há minutos, dito isso, como um corredor de cem metros parte voando ao encontro dela, parecia que nada tinha acontecido e foram “trotar”, ele a acompanhava como um guarda-costas. Assim, ele queria buscar a afetividade dela, afinal ela já se tornava o grande amor de sua vida, sim, o grande amor, ninguém é capaz de reconhecer e delinear o amor de quem sente, por isso, Flávio buscou aprofundar-se no assunto com as poesias, as  músicas e os livros que descrevem o amor. Vale relembrar algumas que o fazem ter a certeza desse sentimento que tomou seu coração profundamente, ainda que não seja correspondido.

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

        Este Soneto de Camões, nunca teve tamanho significado para este homem que reconhecia sua maturidade nas relações, mas um imaturo e fraco para lidar com o desconhecido amor verdadeiro.

        Depois de passar, mais uma vez, dez dias ausente da cidade, Flávio faz o papel de alertá-la sobre sua chegada e consulta se há possibilidade em vê-la ao regresso. Foram três dias seguidos de mensagens, que ela lera mas não respondia, nenhum pesar ou afirmação, talvez uma simples interrogação. Quando chegou não fez mais contato, ela iria responder, devia estar sem tempo e guardou a data. Nesse passo, bastou para que o Flávio coloque o celular no bolso, por minutos, durante uma caminhada para travar a tecla silencioso sem intenção, feito isso, sim, ela envia uma mensagem perguntando onde ele estava, então, o mundo desaba novamente, Flávio, reponde minutos depois que estava bem próximo ao local de sempre e pede para ela vir ao seu encontro, mas já era tarde demais.

        Lamentavelmente, ele não aprendia a lição, ela então o rótula de egoísta, que importa-se apenas com ele, já que não respeitava as decisões dela, uma vez que tenha tomado uma decisão de ir descansar, pois deixava uma sala de aula, além de todo o dia de trabalho, então, é duríssima mais uma vez e sustenta que Flávio devia comportar-se como um adulto e não pensar apenas nele. Mas tudo, de fato, seria lúcido se apenas uma simples mensagem tivesse resposta, a própria incerteza de uma correspondência é carregada de razões sem explicações. Mas Sabina não suporta argumentos ou explanações, talvez porque labute diariamente nas cortes, ou mesmo a aversão que ela tem com o machismo e as vertentes patriarcais do mundo em que vive.
Flavio Gomes
Enviado por Flavio Gomes em 14/01/2019
Reeditado em 14/01/2019
Código do texto: T6550920
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Flavio Gomes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Flavio Gomes