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[MINICONTO] O pôr do sol

O sol se deita vagaroso, dourando aqueles minutos como se fosse a primeira vez. É quando ela pega minha mão e fecha os olhos.

- O que foi? - pergunto.

Ela não diz nada e mergulha em si.

Daqui onde estou, posso ver por dentro do horizonte, que brilha querendo mais, mais e mais, sempre mais, chamas siderais e insaciadas. Sinto elas queimarem, arderem, destruírem. Sinto que logo não sobrará muito com o que acabar.

A pressão na mão aumenta. Desespero, apego, arrependimento. O quê?

- Tá tudo bem? - insisto.

Ela abre um olho, me mira, reage ao sol e ao seu fulgor. Antes de fechá-lo, sorri como Monalisa e me entrega outro silêncio.

Por dentro do horizonte há fogo, eu sei; pelas beiradas, as cinzas se amontoando. Até quando dá para ignorar?

As mãos se desfazem feito nó fraco, talvez já gasto. As pontas dos dedos roçam e são ásperas.

Daqui onde estou, posso ver por dentro do horizonte. E sinto queimar, e arder.

- Sabe, acho que...
- Não, tá tudo bem - ela se apressa, me interrompe, finalmente me olha e me sorri -, tudo bem.

Daqui onde estou, vejo o horizonte que queima, e vejo o que sobra e o que se vai e o que dói, e acho que já estou cego. E como é lindo.
Cesar Bueno Franco
Enviado por Cesar Bueno Franco em 09/10/2019
Código do texto: T6765389
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cesar Bueno Franco
Campo Mourão - Paraná - Brasil, 32 anos
108 textos (6625 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/10/19 03:44)
Cesar Bueno Franco