O PISTOLEIRO SEM ALMA (Republicação)

O crepúsculo já tende a findar, abutres ainda insistem na carniça que próximo ao desfiladeiro se encontra, algumas carcaças de búfalos abatidos por forasteiros de outras regiões do velho oeste. Ao longe a poeira indica que um cavaleiro se aproxima. De cima de um penhasco Billy observa atentamente, talvez o conheça, pode lhe trazer alguma notícia do Novo México, de onde veio recentemente, mas precisamente de Santa Fé, firmando-se nas bandas do Arizona onde impôs o respeito e o medo. Billy vivia só, era um andarilho que se assustava com a própria sombra, usava duas pistolas prateadas e um colete que dificilmente uma bala atravessava e ai de quem o desafiasse, era morte certa.

O homem montado a cavalo foi reconhecido por Billy que se deixou ser localizado, era Jack, um velho companheiro de cavalgadas por trilhas e desertos, bebericavam muito nas terras mexicanas, as mulheres os admiravam e raras eram as que não levavam para um quarto de hotel. O pistoleiro Billy desceu calmamente enquanto o amigo esperava lá em baixo, com certeza lhe trazia ótimas notícias. Informou que o xerife Clark mandou colocar cartazes na cidade com sua foto pagando uma boa quantidade de dólares pela sua captura. Billy sorriu mastigando a ponta do charuto com força e depois cuspindo-o fora. Olhou para o horizonte com ar sereno, em seguida convidou o amigo para irem até o quarto do hotel onde se encontrava, lá traçariam planos para cuidar do xerife.

No Novo México Luana dançava em um hotel repleto de marmanjos e bebarrões, se divertiam ao som de uma música local, ela era uma das preferidas de Billy e sua informante, o xerife Clark desconfiava disso. Entrou no bar com ar de galanteador e mandou parar a música, indo ao encontro da dançarina. Pegou-a pelo braço e abraçou-a com força, a moça reagiu mas os braços fortes do agente da lei eram mais potentes. Levou- a para sua sala e trancafiou-a numa cela, queria saber mais sobre ela.

Uma diligência partiu dessa localidade do Novo México, seu destino era o Arizona, nela viajou discretamente uma amiga de Luana, ora presa pelo xerife, iria ter com Billy para inteirá-lo da situação dela. Um dos homens do xerife vistoriou a diligência mas nada encontrou de anormal.

Já era de tardezinha quando a amiga de Luana chegou no Arizona, foi diretamente para o hotel onde Billy estava. Conversou com ele e o deixou a par da situação sobre a dançarina. Este esperou o dia raiar para seguir viagem ao Novo México, não podia deixá-la dessa situação. Mas alguém resolvera seguir a diligência e deduziu que o xerife iria ter problemas, tentou intervir no caso e entrou por uma lateral do quarto de Billy, mas este, muito astuto, percebeu o perigo e aguardou. O sujeito ao entrar pela janela foi logo atirando, quase atingindo Billy, que respondeu a altura e meteu bala nele, que tombou da altura do primeiro andar e caiu na rua. Ferido, foi abordado pelo pistoleiro que o reconheceu, mas durou pouco tempo com vida, sua garganta foi cortada por um punhal.

O sol nasceu e Bylly já seguia pela estrada empoeirada montado em seu cavalo preto na companhia do amigo e da moça que viera alertá-lo sobre a prisão de Luana. Algumas horas depois já adentravam o território mexicano, porém olhos espertos os observavam através de binóculos, eles já eram esperados. Billy e os seus aproximaram-se o máximo possível e se esconderam atrás de arbustos e pedras. Os primeiros estampidos foram ouvidos, alguns homens do xerife tombaram, o amigo de Billy foi atingido de raspão na perna, no entanto já estavam bem perto da cadeia onde se encontravam alguns atiradores. Um bala atingiu uma estaca de madeira onde Billy estava junto, atingindo justamente um cartaz com sua foto e o valor da recompensa. Este acendeu um charuto e fez uma careta, rastejou alguns metros e atingiu dois homens com disparos certeiros. Aproximou-se mais, percebeu que o xerife estava na sua mira, mas Luana era seu escudo, ele não poderia atirar nesse momento. Com um sorriso sarcástico gritou para o agente da lei

- Clark, não vem me buscar?

Isso distraiu o xerife, que de imediato segurou Luana pelos cabelos, mas uma bala certeira atingiu a testa dele, que caiu numa poça de sangue. O último homem do xerife correu por um beco, mas foi nocauteado pelo amigo de Billy, sendo logo esfaqueado, tombando em seguida. A estrela foi arrancada do peito do cadáver do agente e colocada pelo pistoleiro no peito do seu amigo, ele agora era o xerife da cidade, nessa terra sem lei. Liberta, Luana abraçou a amiga e em seguida caiu nos braços de Billy, que a beijou demoradamente.

Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 05/12/2021
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