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Despertei olhando pela janela enxergando um clarão, era lua cheia,  fui ao terreiro da casa que agora lembrava uma tapera, havia sido construída por escravos no século dezenove foi casa de engenho, fazenda de gado, campos de algodão e morada de muitas famílias, inclusive a minha. De tão malcuidada parecia um casarão mal-assombrado, mas ali às noites enluaradas eram muito bonitas. Havia  uma energia muito poderosa parecendo que minha mente atraía toda a força do Universo. Ao sair para o terreiro, tudo estava claro tal as manhãs alegres de verão e a Lua resplandecia num céu enfeitado por Astros e estrelas. Era criança ainda, e queria saber porquê as noites enluaradas faziam-me acordar sentindo alguém chamando;Desperta! Vem sentir a força da Lua! Eu precisava entender, mas não havia quem me instruísse, mas mesmo assim, vinha ao terreiro atrair a força da noite enluarada.

Contemplando a lua cheia, me deparei com um ambiente diferente, tal qual uma tela da Natureza. Conscientemente participei de um fenômeno de grande beleza que não entendia por ser desconhecido para mim, embora alguma coisa me fizesse acreditar que tudo era verossímil. Extasiado contemplei luzes, formas e cores, tudo muito misterioso e pensei quem poderia me fazer entender, foi então, que da luz surgiu um misterioso homem cujo corpo parecia flutuar e, com voz e olhar diferente de todos os que havia visto dirigiu-se a mim dizendo que aquela visão de luz não se enxergava com os olhos, mas com a  consciência. Você é muito jovem, não pode entender, mas ficará gravado na sua memória estas imagens. 

Sentei num jardim florido e chorei de alegria incontida, eu não tinha ideia o que poderia ser aquele majestoso lugar, porque eu vivia na simplicidade onde só existia;  Campos, arvores, flores, plantações, borboletas, passarinhos, lagartos e os animais que eu cuidava; cabras, ovelhas, um cavalo pedrez envelhecido, porém amado e meu cachorro de estimação. A Lua e o Sol que eu os observava dia e noite representavam os maiores mistérios da minha vida, e ali diante daquele majestoso cenário não sentia vontade de voltar e enxergar o mundo que eu conhecia, só me restava pensar, refletir e caminhar por entre palácios luminosos, arco-íris, a Lua próximo clareando e muitas estrelas a brilhar. Não havia conhecido nenhuma cidade com praças, prédios, avenidas, e naves que em silêncio subiam ao espaço, pessoas caminhando, outras parecendo não tocar no chão, mas para mim tudo tinha sentido, sendo tudo muito natural. Eu caminhava entre pessoas sem que elas notassem minha presença, assim conheci.
Diante dessas maravilhas roguei ao homem para me fazer entender o que estava diante de mim, e ele então, me respondeu que tudo estaria gravado na minha memória, porém só me seria revelado quando eu pudesse entender e compreender.

 Eu precisava entender o que significava memória, sentindo medo de voltar a minha simplicidade sem poder usufruir das maravilhas que via. Fui advertido pelo homem  que o que eu enxergava naquele instante tratava-se de uma visão de luz, e não entendendo perguntei o significado de visão de luz, ele então me respondeu que aquela luz era uma visão doutra dimensão. Eu não sabia o que significava outra dimensão, mas sabia que o fenomeno não era  um sonho.
O misterioso homem se uniu a luz e fiquei com olhos rasos d’água, embasbacado procurando o iluminado homem num céu atapetado de Astros e Estrelas. Hoje sei que do Universo posso atrair  o progresso a ciência, o conhecimento, ciente que nunca estaremos sós e que  o  Criador tem muitas moradas. Conheço alguns lugares no mundo, mas aonde nasci é o que mais me atrai e quanto mais me distâncio dele mais próximo me sinto. A vida parece ser o maior mistério da nossa efêmera passagem pela Terra.
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 13/06/2018
Reeditado em 19/06/2018
Código do texto: T6363393
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio de Albuquerque
Manaus - Amazonas - Brasil
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Antonio  de Albuquerque

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