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Mimi, vem cuidar de mim!

Mimi, meu gatinho de estimação. E como! Ganhei-o de presente de aniversá-rio do meu pai. Mimi era peralta. Um gato muito contraditório. Companheiro contro-verso do meu período escolar.
Mamãe vivia me dando bronca. Segundo as más línguas, Mimi roubava carne das mesas dos vizinhos, assassinou o passarinho predileto do vizinho do lado es-querdo, era nocivo ao asmático filho recém-nascido do vizinho da frente. Enfim, eu o vigiava e muito, apesar de não der muito trabalho, pois por onde andava deixava rastro dos inúmeros pêlos longos, cinzentos listrados em brancos.
Numa certa noite, num sombrio apagão, tudo estava breu. A não ser o mo-mento em que os faróis dos carros que passavam pelo bairro, vinham a nos socor-rer. Durante a esse momento, nem senti Mimi por perto. Até o chamei, mas já não me respondia.
Juro que a última vez que o vi foi em cima da varanda da minha casa possuí-do por um olhar devorador closado em outro passarinho do meu vizinho que não parava de cantarolar. Até cheguei a presenciar o olhar devorador de um dos filhos mais velho do vizinho assistindo o espetáculo. Receoso, corri contar a cena para mamãe. Recusou a me ouvir, alegando que só por Mimi estar vivo, já era razão de eu me contentar, enfim, um possível “serial killer” era algo que não faltaria caso Mimi fosse assassinado.
Entristecido, corri tão próximo do meu amável gato. Chamava-o para perto de mim. Mimi aparentava entrar no jogo de mamãe, recusando o meu convite e insinu-ando a se levantar indo a descansar ou se aventurar noutro lugar.
A poucos segundos, tudo se escureceu. Tudo ficou breu. Ligeiramente ouvi um berro tão alto, sinistro, vindo da direção de Mimi. Coitadinho, talvez fosse o meu adeus! Ao mesmo instante, surgiu um terrível barulho de gaiola do lado oposto da-quela casa, junto de uma sátira diabólica: “Cuidado com o gato!”
Bem que tentei fazer algo, mas não pude. Uma sombra tão horripilante àquela cena, crescia, crescia, crescia e crescia brutalmente na minha direção. Tive medo. Só não borrei as calças, pois minutos antes desta terrível cena, teria me evacuado no banheiro, algo que poderia soltar por aquele instante.  Meu coração estava a mil. Quem era o tão terrível “vulto” ou a “força do além”? Seria Mimi em espírito vindo a despedir de mim, ou o “serial killer” a concluir o serviço completo? Éramos inseparáveis. Unha e dente. Diante de toda essa cena, tão logo surgiu mamãe com uma vela acessa num pires, sem me convidar, puxando para dentro de casa, alegando que Mimi estava mais protegido do que eu. E outra, não era para me preocupar, Mimi era um gato e que tinha sete vidas.
O tempo passou. O sono me tomou. A noite foi embora. Tive que ir à escola. De retorno, percebi que Mimi ficou na história. Quem matou Mimi? Quem seria o possível “serial killer”? Se o gato tem sete vidas, por que, por que, por que ele não me deu as seis chances de reencontrá-lo?
Transformei-me no instinto de Sherlock Holmes. Fiz a lista dos possíveis ex-terminadores de Mimi. Dias depois, sentei com mamãe. A vizinha da frente do qual Mimi adorava roubar as carnes da panela, foi excluída, pois dias antes do sumiço ou do assassinato de Mimi, ela havia colocado telas nas janelas.  O vizinho, pai do re-cém-nascido asmático, comprou um sombrio cachorrão que só pela latida, Mimi te-mia até a alma. O vizinho do lado era dócil demais para matar um animal. E que o barulho que eu ouvi da gaiola, foi o momento em que ele por descuido ao pegá-la deslizou-se das mãos caindo no chão. Mas e o outro vizinho? Mamãe alegava que justo no horário do desaparecimento de Mimi, a dona e única moradora desta casa estaria de serviço. Algo que me surpreendeu. “Aquela moradora” era D. Metrildes, minha professora de história. Recordo-me de todas ás vezes que eu levava o cader-no para dar visto, ela espirrava intensamente alegando que possivelmente eu tinha um gato. Dona Metrildes era uma forte candidata! Enfim, por mamãe tive que ino-centá-los. Mas, e o filho do dono do passarinho da gaiola? Poderia enquadrá-lo no crime. Ele se descrevia em tudo. Mamãe alegou que não, já que ele tinha passagem pela polícia e mais um delito o levaria à prisão.
Por fim, tenho lá minhas dúvidas. Eu tinha três suspeitos. Dona Metrildes, nunca mais me importunava quando lhe levava o meu caderno para dar visto. Já o filho do dono do passarinho da gaiola, ele andava ultimamente todo mancoso com gravíssimos arranhões pelas canelas e braços. Mamãe alegava que ele era aventu-roso, que no mínimo, ele havia apanhado da polícia ou se estropiado por mais uma de suas maluquices de moto. Mas e o vizinho da rua de cima? Ele sempre trabalhou na carrocinha. Dizem que o sonho dele era raptar Mimi. Enfim, quem matou ou rap-tou Mimi? Éh, só pode ser um “serial killer”; pois se ele tem sete vidas e nunca mais voltou, atentaram todas suas vidas.
escritor Rogério Rodrigues
Enviado por escritor Rogério Rodrigues em 04/01/2019
Código do texto: T6543129
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
escritor Rogério Rodrigues
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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escritor Rogério Rodrigues