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George

- Pequeno George, onde está você? Continuava a questionar aquela voz doce de matar.
-Estou aqui no quarto, pai. Ao ouvir uma resposta curta depois de longa espera, ele subiu as escadas às pressas. Que Deus ou o que quer que fosse o segurasse para não cometer nenhuma loucura.
Na porta do quarto bateu a vontade de jogá-la contra a parede e despedaçar toda a madeira podre que não fazia diferença. Mas não! É preciso se controlar, Mattew. Controle-se. Você precisa conquistá-lo, não seja tolo, você vai assustar o menino.
-Que bom que está aqui, George! Falou o pai se encostando na porta para amenizar a dor nos pés que tanto subiam e desciam essas escadas. - Fico feliz em vê-lo. Eu e Diana vamos sair daqui a pouco, quer vir conosco? Posso te pagar aquele sorvete de nata da esquina ou podemos te deixar no cinema. Vi que saiu um filme de herói, o que acha? Ou por destino, Diana esteja cansada e podíamos fazer um cineminha ali na sala com muita pipoca e refrigerante. Vendo que a afeição do rosto de George não mudara, ele tentara qualquer coisa embora nada desse certo. George sequer levantou a cabeça para olhar para ele.
- Não, pai. Hoje não. Divirtam-se. "Que duro ser pai, falar tanto para receber meia dúzia de palavras? Não basta, George".
-Você quem sabe, mas não quer que eu te traga algo?
-Não precisa.
-Tem certeza?
-Vocês vão se atrasar. George já estava cansado de insistências, por um lado era bom ter um pai preocupadíssimo o tempo todo com todas as coisas, mas o resto do mundo não sabia o cansaço que tinha. Outros meninos no seu lugar se aproveitariam daquela boa vontade, enquanto ele se sentia satisfeito com pouco: giz de cera, papel e um quarto para refúgio da humanidade. Toda aquela satisfação era o cúmulo para o pai. Ele simplesmente saiu decepcionado sem ao menos tentar disfarçar. Afinal, não era de muita importância. "George não estava olhando, então quem mais estaria? As paredes? Dizem que elas têm ouvidos, mas olhos acho que não, e se tivessem, não seriam capazes de enxergar aqui dentro, não é? Ou será que seriam? Os pensamentos geralmente são pressentimentos nos avisando que o pior está por vir, preciso checar as paredes", pensava o pai tentando fingir estar ocupado demais com a mão no corrimão da escada enganando a si e esperando que se as paredes estivessem lendo sua mente agora, ele teria uma boa reputação de um pai só... como eu posso dizer? Cauteloso!
Ana Carolina Fretta
Enviado por Ana Carolina Fretta em 13/01/2019
Reeditado em 13/01/2019
Código do texto: T6549942
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Ana Carolina Fretta
Pedras Grandes - Santa Catarina - Brasil, 15 anos
13 textos (434 leituras)
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Ana Carolina Fretta