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Natal dos meninos-violinistas e dos meninos-passarinhos

Passos apressados, olhares,
passaredos, tantos afazeres,
filas, paciência, tolerância...

A cada ano, a mesma imagem
toca o coração do homem,
argilas, presépios, sortilégios...

O menino-Deus da manjedoura
nas vitrines se destaca agora
Midas, concreto, abstrato...

O mercado (como antes) impõe suas leis
as pessoas compram, gastam seus réis
dívidas, muitos presentes, entre tantos ausentes...

Caminhando pelo passeio público,
na feira, folheando velhos livros,
ouvindo crianças nos acordes de violinos,
em meio a pressa desses dias, um momento lúdico...

...Um grupo de meninos de rua observa o octeto de pequenos violinistas bem trajados e tocando em frente ao tradicional Bar "Amarelinho", quando de repente um deles tanto se encanta que "ousa" se aproximar e ficar bem perto...

De imediato, é repelido pela ação enérgica de um segurança, a pedidos de uma senhora que sentia-se incomodada pela "presença hostil daquela criatura de rua"...

Aproximava-se um jovem rapaz que indignado protestou, contestando a atitude discriminatória daquela senhora, mas sua repreensão foi ouvida em silêncio por todos, na omissão tão presente em nossos dias...

Nesta Cena de Natal, comoveu-me a atitude firme do rapaz e a música dos meninos violeiros, mas de um modo mais intenso comoveu-me a dos meninos-passarinhos, ali, livres, soltos,
alguns ainda na sua tenra infância sem instrumentos, presentes, parentes...

Absorto pela beleza da música, mirei o grupo de meninos que temerosos mantinham-se à distância daqueles jovens aquinhoados e da platéia em palco aberto entre doses de chope e outras prosas...

E resolvi pegar um lápis e registrar este episódio como o Ato de Natal identificando na figura daquele menino negro mal-vestido, com os olhos brilhantes de quem acabara de receber de presente - a música, como uma figura projetada de Jesus, que nem sempre é acolhido entre os seus...

Aquele menino se foi travesso com outros tantos pelas ruas da cidade, quem sabe ganhará algum trocado, alguma ceia ou quiçá algum presente, mas terá o Natal para este menino o mesmo significado que tem para todas as pessoas daquele lugar?

Pode ser fácil dizer Feliz Natal, porém não é tão simples fazer um Feliz Natal...

Natal significa natividade, nascimento, vida, estaremos de fato, no real e no concreto, comprometidos com a vida humana, com a fé no homem, com o amor uns pelos outros, que nos foi ensinado e nos é afirmado a cada NATAL?

Precisamos refletir sobre...
esses valores e crenças, para mudarmos as atitudes e para sermos mais solidários, justos e fraternos.

Penso que o Natal deva se refletir em todos os nossos atos, a cada dia, no nosso próprio re-nascer, buscando sermos melhores pessoas, compreendendo, tolerando, amando e trabalhando
pelo bem estar de todo ser humano,
seja ele o menino-violinista,
seja ele o menino-de-rua passarinho
desta história real de Natal.

AjAraújo, um poema como base em uma história real, vivenciada no Centro do Rio de Janeiro (Cinelândia), em 23/12/04.

Desejo um Feliz Natal, neste e nos outros dias de sua vida e daqueles que cruzam o seu caminho, deseja o amigo poeta.


AjAraujo poeta humanista
Enviado por AjAraujo poeta humanista em 02/12/2009
Código do texto: T1956036

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Sobre o autor
AjAraujo poeta humanista
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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AjAraujo poeta humanista