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Meu Querido Papai Noel


Querido Papai Noel

Aliás, querido um cacete. Lembra que eu pedi no ano passado que você me arrumasse um namorado bem rico, bem bonito e bem dotado? Lembrou?!  E como, seu velho sacana, você me dá de presente o Valdir? Hein? Existe alguma explicação pra isto?
Tá certo, eu não fui muito legal este ano. Nem no outro. Mas o fato de eu ter errado o tiro para matar minha chefe podia ser esquecido, né? Eu errei, ora esta. Pegou no cachorro, mas era só um cachorro. Que mal fez? O Valdir ninguém merece. Acho que foi castigo porque eu namorei o meu professor. Foi isto? Eu sei, eu sei. Ele é casado. E mais: as ameaças que eu fiz para a mulher dele no telefone não eram de verdade. Você acha que eu teria coragem de enfiar a cabeça do bebê deles no balde com detergente? Nossa, nunca faria isto. Se a criança ainda tivesse mais idade, até pode ser.
Mas o Valdir… Sabe o que ele me deu de aniversário? Um jogo de pano de prato. Quer saber o que eu disse para ele fazer com o presente? Além de ser pobre, não tem bom gosto. Legal mesmo é o namorado da Claudinha. Eles vão casar logo, já no ano que vem. Adivinha onde vai ser a lua de mel? Em Aruba. Com tudo pago por ele, porque o namorado da Claudinha é bonito, rico e bem dotado eu não sei. Mas se tudo correr bem e ela morrer afogada em Aruba, eu te conto depois, véio gagá.
Olha, as coisas que eu fiz este ano são poucas perto do que a gente vê por aí. Tudo bem, com exceção de ter tentado matar a minha chefe, que mais eu fiz? Passar em sinal vermelho? Atire a primeira pedra quem nunca fez isto. E além do mais, eu socorri a mulher e a levei para o hospital. E ela nem corre mais o risco de perder a perna. E quem nunca trocou a etiqueta de uma peça de roupa por outra de valor menor? Quem? Quem? E tem mais, é muita injustiça que eu esteja proibida de entrar no shopping por dois anos só por causa de uma coisinha destas. Se for por isto, o presidente tinha que estar proibido de entrar no país também, ora esta.
Mas o Valdir… ele foi bem legal comigo. Pagou a fiança e eu consegui responder o processo em liberdade. Jurei que nunca mais pegaria nada emprestado nas lojas do shopping, mas acho que o Val não acreditou. É o que dá ter namorado pobre, seu veio babão. Se ele fosse rico, nada disto teria acontecido. Viu? Tudo culpa sua. Era só ter atendido o meu pedido e meu ano teria sido muito melhor.
E aqui, ó, eu vou renovar meus pedidos. Porque apesar de tudo, Papai Noel, eu gosto muito de Natal. Gosto de reunir a família, as minhas tias gordas, os meus primos barrigudos, todo mundo se divertindo, comendo e vomitando na minha sala, no maior clima de confraternização e espírito natalino. Que legal! E olha, eu quero mais agora. Eu quero um marido multimilionário, dono de uma grande empresa, de preferência uma cadeia de spas e que me faça muuiiiito feliz. Porque pobre, estroncha e namorada do Valdir… ah, não! Eu não mereço.
        Vê se me atende agora, faz favor. Vai ficar muito chato você ter que explicar para todas as criancinhas do mundo porque as suas renas viraram churrasquinho.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 09/12/2006
Código do texto: T313676

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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
646 textos (48674 leituras)
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Patrícia da Fonseca