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UM PIQUENIQUE DE FÉRIAS

                    Era início de férias, janeiro de 1978, esperanças renovadas no Brasil, pois o ano anterior tinha sido difícil, mas de grandes conquistas, principalmente para à literatura. A conceituada escritora Raquel de Queiroz tinha sido eleita à primeira mulher para a Academia Brasileira de Letras, um orgulho para os escritores em geral e todo povo brasileiro... Porém, para a dócil tia Emília nenhum acontecimento do passado, mesmo que fosse de grande relevância, poderia mudar os seus projetos, pois a mesma estava planejando o primeiro piquenique do ano com seus queridos sobrinhos e sobrinhas e, para ela não tinha maior satisfação que isso, um dia especial com todos, pois que os garotos e garotas sempre passavam as suas férias escolares com ela. Tia Emília queria levar as crianças para um passeio diferente, um momento especial de lazer, com sol, mar, muita diversão e uma deliciosa refeição feita em meio à natureza. Emília era uma jovem sonhadora, muito determinada que vivia soltando suspiros de felicidade, era uma pessoa de bem com a vida e, o que mais contribuía para sua felicidade era a presença das crianças em seu dia a dia. Na verdade, o passeio seria um piquenique no primeiro domingo de férias...
          Era domingo, dia do grande passeio, o sol amanhecera deslumbrante, seus raios iluminavam o quarto das cinco crianças que ainda dormiam sossegadas, logo, o silêncio é quebrado pela voz suave da tia Emília que tenta acordar as crianças com uma belíssima Canção Escoteira:

(Alô! Bom dia, como vai você...
Um olhar bem amigo, um caro sorriso e um aperto de mão.
E a gente sem saber como e porque, se sente feliz e sai a cantar uma alegre canção.
Bom dia nada custa, ao nosso coração, e é bom fazer feliz o nosso irmão.
A Deus se deve amar, amar sem distinção.
Alô! Bom dia, irmão.)

          - Vamos crianças acordem que o sol já raiou e, a praia espera pela gente! Atenção! Todos arrumando suas bagagens. Disse-lhes tia Emília.
          As crianças pularam da cama para o café matinal e depois, elas foram arrumando o que era importante para levar ao passeio. Logo, tia Emília apareceu toda bonita, com um grande chapéu de palha na cabeça, uma bolsa colorida e um vestido bem florido. Logo, que o garoto Rodrigo a viu foi falando feito um tagarela:
          - Tia, como à senhora está linda! Não faltarão admiradores para lhe cortejar. Oh, linda praia de Olinda, espere a gente chegar!
          Tia Emília ficou toda orgulhosa e sorridente. Assim, todos saíram apressados, pois não queriam perder a condução que passava naquele exato momento. Tia Emília e as crianças se acomodaram dentro do ônibus e, foram cantando um linda Cantiga Popular, até chegarem ao destino do piquenique:

(Se essa rua se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para o meu, para o meu amor passar

Nessa rua, nessa rua, tem um bosque
Que se chama, que se chama, Solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração

Se eu roubei, se eu roubei seu coração
Tu roubaste , tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
É porque , é porque te quero bem...)

          De repente, a garotinha Fernanda gritou bem alto:
          - Olha o Mar, pessoal! Vamos descer, tia Emília!
          - Sim, todos de mãos dadas, por favor! Vamos descer e procurar um local mais apropriado para o banho. Respondeu-lhe tia Emília.
          Tia Emília e as crianças desceram do transporte e saíram procurando um local ideal para um dia de lazer na praia, um piquenique especial de férias. A pequenina Patrícia e o jovem Fredinho foram os primeiros a molharem os pés na água morna daquela exuberante praia, mas com medo dos sargaços Patrícia voltou chorando para junto da tia e Fredinho aproveitou para convidar as outras crianças para um bom banho à beira-mar. Tia Emília arrumou uma toalha estampada na areia fina da praia e espalhou os alimentos por cima: frutas, sanduíches, sucos, guloseimas, bolo de chocolate, salgadinho de queijo, cocada, rapadura, melaço e etc. Logo depois, apareceu um vendedor gritando: – “ó, o algodão doce! Tem de todas as cores!” A pequena Patrícia falou para tia que queria comer algodão doce e assim, a tia Emília comprou um que deixou a boca da garotinha toda azul, da cor do mar. Daqui a pouco, Lívia chega gritando com um ouriço enfiado em seu pé:
          - Tia, aí que dor! Tira isso do meu pé! Estou morrendo de tanta dor!
          - Menina, tenha calma, por favor! Eu vou tirar o ouriço, mas tenha calma!
          Tia Emília, com muita paciência, tirou o ouriço do pé da jovem Lívia, que ficou um bom tempo sentada na areia, esperando a dor passar, enquanto isso a peralta Fernanda corria para abraçar as ondas do mar. As outras crianças aproveitavam para montar um lindo castelo de areia. Entre brincadeiras e contratempos, o dia passou depressa, pois de tudo aconteceu um pouco, somente não sobrou comida... Era hora de voltar para casa!
          O retorno transcorreu normalmente, as crianças estavam exaustas e sonolentas, mas felizes e realizadas. Foi um lindo e divertido piquenique de férias! Tia Emília estava feliz, pois tinha conseguido conquistar até um admirador, um turista bonitão. Assim, foi o domingo na praia de Olinda.
         Até a próxima aventura, pessoal!
         
         Elisabete Leite – 09\01\2019.

Minhas pesquisas:
https://www.letras.mus.br/cancoes-escoteiras/998872/
https://www.letras.mus.br/cantigas-populares/983995/


Elisabete Leite
Enviado por Elisabete Leite em 11/01/2019
Reeditado em 11/01/2019
Código do texto: T6548607
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Elisabete Leite
Recife - Pernambuco - Brasil, 61 anos
585 textos (13253 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/02/19 13:00)
Elisabete Leite