D A   J A N E L A


Toda tarde, da janela, te vejo passar,
Do alto, olho seus passos pequenos.
Todo dia espero por seu olhar,
Silencioso você segue sozinho seu destino.
Naquele dia de calor infernal,
Já era tarde, era hora de você andar,
Mas nada de você caminhar.
Meu coração parecia vazio,
Vi outros rostos, nenhuma lágrima,
Então pensei, não há morte, não há ninguém a chorar.
Naquela noite desci da janela, passei pela porta,
Olhando da rua, nem a mim consegui enxergar,
Entendi o dilema, mas não a solução.
Fui rumo ao seu rumo, a onde o vento segue  a           contramão,
Sei do caminho, sempre sonhei sua casa.
Era o destino, sua porta entreaberta,
Silencio na portaria, o que afinal seria?
Toda tarde ainda vejo seu andar pequeno,
Mato a saudade em baixo da árvore,
A sombra cobre a frase apócrifa,
Aqui jaz um solitário andarilho.