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ZABELÊ

ZABELÊ


Loira de profundos olhos azuis, pele muito clara e um corpo perfeito, Zabelê  era tudo que um homem de bom gosto poderia querer; além dos predicados físicos, ela vinha de uma excelente família composta de pessoas de bem e com muitos teres e haveres, mas todas as contemporâneas de Zabelê estavam casadas, noivas ou namorando, menos ela.
Ninguém conseguia entender o que estava acontecendo, porque uma moça com todos aqueles predicados não arranjava pretendentes, se as menos dotadas estavam sempre bem acompanhadas  por maridos, noivos ou namorados; o tempo passava e nada da situação mudar, a bela Zabelê continuava sempre só e tristonha, mesmo nas festas ela permanecia só.
Com o passar do tempo o povo daquela cidade deixou de se preocupar com Zabelê e seus assuntos, mas aquela duvida não desaparecia nunca, até que um dia a coisa foi esclarecida, ninguém da família da moça falou do assunto, mas depois de muitos anos fora daquela cidade, a parteira Vó Luiza voltou  idosa e confusa e falou.
A velha parteira perdera contacto com o presente e se agarrara ao passado, contava coisas e mais coisas datadas de mais de vinte anos e em um dia inspirado ela se lembrou do nascimento de Zabelê, foi um susto para todos quando ela disse que aquela menina era diferente das outras e não se fez de rogada para explicar qual era a diferença.
Tomei um susto disse ela quando Zabelê nasceu, porque ela não era nem menina e nem menino, mas ao mesmo tempo era as duas coisas porque tinha os dois sexos, quando a família soube a verdade resolveu que ia ser menina e assim foi feito; com medo que eu falasse me deram dinheiro e me mandaram para longe daqui, fui e voltei agora, estou velha demais para me calar.
Com a descoberta de seu segredo, só restou a Zabelê duas opções: se matar ou sumir da cidade, ela escolheu a segunda porque morrer ela não queria, foi para bem longe e durante muito tempo não se ouviu falar dela e o assunto morreu; de repente ela voltou casada com um simpático cidadão, ninguém entendeu como podia ser aquilo, mas depois de alguns dias tudo foi esclarecido.
Ao deixar sua cidade do interior, foi para uma cidade grande e um medico procurado por ela resolveu fazer uma cirurgia muito difícil e perigosa, correu tudo bem e ela voltou como uma legitima mulher e muito bem casada com o próprio medico que fez a cirurgia; o povo da cidade de Santana Mestra não era mau, forçou a saída da moça com seus olhares e cochichos apenas por ignorância, mas todos ficaram felizes com o bom final da historia.
Maria Aparecida Felicori{Vó Fia}
Texto registrado no EDA
Vó Fia
Enviado por Vó Fia em 23/09/2008
Código do texto: T1193518

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Sobre a autora
Vó Fia
Nepomuceno - Minas Gerais - Brasil, 93 anos
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