Encontro inusitado

Ele apareceu do nada...

Eu estava sentada naquela festa, confesso que entediada daquele vai-e-vem dos garçons, da risada alta, exagerada das mulheres que faziam questao de aparecer, daquele cheiro de bebida embriagante saida dos hálitos dos convidados. Precisava de algo diferente, estava cansada da rotina, do di-a-dia, queria ficar um pouco sozinha, me distrair, me sentir novamente viva. Deixei marido e filhos em casa, e agora estava ali.

Foi quando eu o vi...

faziam 20 anos ou mais que não o encontrava; confesso que balançou-me; senti aquele aperto no peito, um frio na espinha, as maos gelaram. Ele veio ao meu encontro e nos cumprimentamos casualmente, mas vi em seus olhos um brilho diferente que entregava seu sentimento.

Será que ele me queria? Aquela noite foi passando tao rápidamente, e eu estava entre a dúvida de aproveitar ou não o momento. Seria eu louca em entregar-me em seus braços? Não, não poderia. Mas ficaria em meu pensamento o arrependimento? Que turbilhão de sentimentos!!!

Por várias vezes nossos braços se encostaram, nossas mãos se roçavam suavemente, sentia seu olhar percorrendo meu corpo, sua respiração se acelerava, e entre um gole e outro nossos olhares se encontravam. Não toquei em bebida, precisava estar lúcida para não haver arrependimento. Ele entregou-se ao vinho, será que buscava coragem, ousadia em uma taça? Podia ouvi-lo engolindo a saliva, engasgando palavras que ficaram anos em sua garaganta. Quantas dúvidas...

Relembrar o passado? não! Falar do presente? talvez, mas não saiam palavras... As horas passaram tão rapidamente, e o momento da despedida chegou. Nos abraçamos, encostei meus lábios em sua face e sorri... O que mais poderia acontecer alí? Um beijo roubado quem sabe? Um roçar de corpos excitados? Nao!!! Só um abraço... eternizado em meu corpo, em minha mente...

Ele então me olhou de um jeito que palavras seriam poucas para expressar o que vi em seus olhos. Senti meu peito se encher de alegria por saber que era compartilhado todo aquele sentimento escondido, esquecido com o tempo. Nos despedimos sem nehuma palavra... ainda sinto seus dedos fugindo dos meus naquele ultimo toque, naquele ultimo momento...

Andréa Lauterjung
Enviado por Andréa Lauterjung em 01/07/2006
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