A GRANDE AVENTURA DA MINHA VIDA

Palácio da Aclamação, início de 1976. Salvador-BA. 20h. Após árduo dia sou chamado pelo governador à sua residência.

- O Setor de Obras realizou orçamento para restaurar o palácio – dez milhões! Seria mais barato derrubar e construir outro. Faz-me um projeto, mas não precisa ser de ontem prá hoje.

- Nem teria condições. Mas, em um mês entrego a ala pronta e restaurada, transferindo seu gabinete.

- Um mês?

- Sim! Mas preciso de carta branca.

- Concedida!

- Para a ala B, mais 30 dias.

- Concedidos! Por escrito?

- Sua palavra basta.

Dia seguinte, à porta de Valentin Calderon de La Vara, Diretor do Museu de Arte Sacra da Bahia: - Estou em missão oficial e peço que proceda ao inventário dos bens móveis do Palácio da Aclamação, dizendo o que pode ser reaproveitado, restaurado ou realocado ao Museu do Estado.

De lá fui à Escola de Belas Artes da UFBA e pedi ao Professor Rescala, conceituado restaurador, que me acompanhasse com Calderon. Depois, no Palácio Rio Branco, ao Chefe da Casa Civil, informei as despesas. Também, ao Secretário da Fazenda, que me indicou fornecedor do Estado na área de obras, com crédito para receber. A este disse que o contrataria sem licitação, sob a garantia de que facilitaria o recebimento dos atrasados, se entregasse em 60 dias o palácio restaurado. Fundamental era a primeira etapa pronta em 30 dias: derrubar o telhado de sustentação, colocar madeiras e telhas novas e com um banho de ácido retirar a sujeira incrustada nos mármores da fachada e dos banheiros.

Tudo realizado em tempo hábil, assim como o piso e a colocação de novos tapetes, sugeri que Alberto criasse mesas de reunião, cadeiras e escrivaninhas ao estilo barroco, a preço de custo. Na principal loja de decorações de Salvador sugeri cortinas e estofados, objetos estilizados como uma vitrine da própria loja, a ser vista por todos, incumbindo-me de ser garoto propaganda.

Durante o período, lá residi, tendo somente ratos e morcegos como companheiros palacianos. Ao término do prazo (gastei 400 mil) expus ao governador o novo gabinete. O rosto de espanto e admiração, assim como as palavras proferidas ainda marcam minha lembrança: - Esta ala deveria chamar-se Hildebrando.

Após 60 dias instalei na ala B as voluntárias sociais da Bahia. Ao final do governo, deixei um bilhete na mesa de ACM, sucessor de Roberto Santos: - Veja se não destroi o que restaurei com tanto amor e sacrifício.

Hildebrando Menezes

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Navegando Amor
Enviado por Navegando Amor em 23/09/2011
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