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(imagem google)

Meu Amigo Matou o Cunhado

 
Meu amigo, mineiro, cara gozador, mas certinho, íntegro, gente boa, espirituoso e com todas as qualidades do bem não merecia isso.

Resolveu curtir a vida sozinho e se refugiou numa chácara, longe de tudo e de todos e ter somente a companhia de pássaros e onças pintadas, estas ele jura que andam por aquelas bandas e até prometeu me enviar uma fotos quando eu inadvertidamente duvidei da existência delas.

Vida tranquila, pacata, de hábitos saudáveis era tudo o que ele queria e esperava quando decidiu ter qualidade de vida, mas com o conforto da vida moderna e, é claro, com recurso da informática e porque não dizer do “facebook”.

E assim começou o seu martírio. Sim, porque temos que admitir que para a nossa geração acompanhar os avanços da tecnologia é bem mais complicado do que para as novas que parece até que já nasceram teclando e assimilam tudo com muita rapidez.

Pois bem, o meu amigo mineiro internauta entrou na rede social e viu uma postagem da sua sobrinha comunicando o falecimento de seu pai (cunhado dele) deixando uma linda mensagem dedicatória que muito o comoveu, sabedor dos laços fortes que unem a família.

Coincidentemente nesse momento eu o chamei para um bate papo e ele me deu a notícia, assustado, arrasado, porém não tinha muitos detalhes do ocorrido e ficou de me retornar com notícias mais concretas.

Eu até o questionei em relação ao fato porque, embora a hora fosse de dor, alguém da família teria que dar a notícia aos parentes, amigos, enfim, não há um protocolo para isso mas é um procedimento normal e necessário. O facebook é um recurso prático e rápido mas não é todo mundo que tem facilidade de acesso. Ele respondeu que por morar em zona rural a comunicação nem sempre é eficiente e com as chuvas na região era bem provável que tivessem tentado o contato.

Embora eu não conheça a família, fiquei preocupada com o meu amigo porque é muito triste perder um ente querido sejam quais forem as circunstâncias e aguardei apreensiva o seu retorno.

E logo ele retornou contando o ocorrido.

Não posso expressar o que senti quando ele escreveu em letras garrafais: EU MATEI O MEU CUNHADO.

Após o choque do primeiro momento, ele esclareceu: depois que nos falamos ele primeiro conversou com um dos seus irmãos, que estava on line, depois telefonou para a outra irmã dando a noticia e pedindo que ela entrasse em contato com o resto da turma, ela ligou para um dos sobrinhos pedindo a ele que entrasse em contato com outra sobrinha, enfim, assim todos os conhecidos ficaram sabendo do ocorrido e a cidade também.

Porém, como haveria de ser, o falecido também foi comunicado do seu falecimento, ou suposto falecimento , uma vez que ele estava bem vivo e gozando de ótima saúde.

E vamos ao desvendamento do mistério:

Após ter recebido a notícia, um dos irmãos acessou a página que originou a confusão e descobriu que tratava-se de um compartilhamento de postagem, ou seja, a sobrinha do meu amigo compartilhou a postagem da amiga noticiando o falecimento do pai e o meu amigo não percebeu isso, na verdade ele viu a foto da sobrinha e a dedicatória e não se atentou ao compartilhamento e foi logo correndo o mundo com a notícia.

Confusão arranjada, cidade pequena, agora era hora de avisar a todos que não haveria velório nem tampouco sepultamento. Ai correu a cidade (e teve que aguentar a gozação do pessoal, que, é claro, não deixou de dar o seu toque pessoal de mineiro). Teve que enfrentar também sua filha, manicure de um salão de beleza, na hora de movimento no salão (imaginem aquela mulherada rindo até não poder mais, deve ter sobrado até bifes das cutículas das clientes).

Confesso que me diverti bastante com essa história real mas tenho que admitir que fiquei penalizada quando ele falou muito envergonhado: “ eita coisa de loco, só cumigo contece ssas  coisa”.

 
Lucia Moraës
Enviado por Lucia Moraës em 04/01/2013
Reeditado em 28/02/2013
Código do texto: T4067346
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Lucia Moraës
Jacareí - São Paulo - Brasil
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