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Autógrafo
Iosif Landau
 
Para Rosa Pena
 
MARÇO DE 2007

Segunda-feira 26

19:32

Saio de casa, ansioso, é o meu normal, até pra comprar cigarros tenho cólicas, sou um ser construído sobre nervos, constituído de inseguranças,sou o que não aparento, apenas sei que sou homem, nasci homem, ainda sou homem me pergunto enquanto tropeço na calçada e quase me estabaco feito débil mental? Velho não é mais homem, é espantalho e espantalho não transa,
portanto velho também não transa, é silogismo, teorema, corolário, dogma, fantasia, imaginação, ciência, sabedoria, psicologia, drama, comedia? É o caralho, ou melhor, falta de caralho, puta que me pariu, por que penso nisso agora? Porque amo mulher, mulher é vida, mulher é beleza, mulher é mente, é coração, é onda, é mar, é o infinito, é sublime, é, é e é ...E vou ao
encontro dela que nunca vi, que não conheço, que estou louco pra conhecer,pra sentir seu perfume, pra ver seu sorriso e olhar o decote...Safado!

19: 36:

Sinalizo o táxi, pára, abro a porta do carona: - puxa o banco para trás -falo ao motorista, peço sempre, tenho pernas longas, um embaraço pra quem tem mais de 80, --Livraria da Travessa, esquina Aníbal com Pirajá! - dou a ordem. A Prudente com pouco movimento, o carro voa, desço na esquina, pago 10 por uma corrida de 7, - vá com Deus - agradece o paraibano, vou pra onde com Deus? Sempre me
pergunto, a resposta não me agrada, me assusta, que se foda, melhor me cuidar na travessia da Pirajá se não Deus vai festejar.

19: 42:

O convite fala: às 20 horas. Nenhum carioca que se preza é pontual, mas eu sou, tenho sangue de gringo, sei, tenho certeza que terei que esperar pelo perfume, pelo sorriso, pelo decote...safado!

Para em frente ao quiosque com flores, mulher merece flor, mulher tem direito a flor, mulher gosta de flor, mulher é flor. Escolho, pago e caminho, as flores coladas junto ao peito. Entro na Travessa, caminho até o fundo, mesa, cadeira, mais flores, ninguém, me sinto ridículo e agarrado às flores dou meia volta, subo pro café, me sento numa mesa no fundo, dali vejo o panorama, saberei quando ela vai surgir, impaciente peço um café, nervoso acendo um cigarro, coloco as flores na mesa.

20:20:

Já bebi três cafés, fumei dois cigarros, acendo o terceiro, - droga, as flores vão murchar! - , eu já estou murcho, enganei - me do dia, da hora? Olho na direção da mesa, movimento, gente, ela? Só pode ser, rodeada e abraçada, espero mais um pouco, me levanto pago a conta, desço, rabisco o cheque, pego livro e caminho, lento, sem pressa, coração acelerado, paro em frente à mesa, ela levanta a cabeça: - Iosif Landau? Iosif Landau? -, resmungo algo ininteligível, ela se levanta, me abraça, estou imóvel, sem ação, sinto o calor do corpo, ela se afasta, entrego-lhe as flores, -Flores? Que lindo!-, senta, entrego o livro, - pra você só posso escrever isso! -, me devolve, leio e releio, - I LOVE VC!


- I LOVE YOU TOO, I LOVE YOU TOO! - penso, não falo, minha presença de espírito foi pro beleléu, não sei como agir:

- Fica, senta um pouco -, agradeço, resmungo que preciso ir, o inesperado, ela beija minha mão, beijo a dela e me retiro.

21:00:

Em casa procuro me lembrar, tudo nebuloso em minha mente, aos poucos, devagar, Rosa é rosa, petite, agitada, energia saindo pelos poros da pele queimada de sol, risonha, alegre, um foguete, uma estrela, magnética e magnífica, exuberante, exuberante, exuberante... I LOVE YOU TOO, I LOVE YOU TOO! E como I LOVE YOU!

Mais tranqüilo acendo um cigarro, paro, congelo, droga!
Não olhei pro decote!!!!!!!!!

Rosa, quem sabe, algum dia você me mostra ele.



 
Rosa Pena e Iosif Landau
Enviado por Rosa Pena em 23/02/2005
Reeditado em 01/12/2017
Código do texto: T4960
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/12/17 02:51)
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