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O ENGRAXATE QUE VENDIA PICOLÉ EM CAMAPUÃ

Marcos Barbosa -frc

Óia o picolééé,,, pra homi i pra muié...
Eu gritava,,, e o Ivaldo respondia de lá:
Óia o picolééé,,, não chega pra quem qué...
Assim saíamos à rua brincando de trabalhá.

Era assim,,, em Camapuã, na década de 60, quando ainda não existia o mal ‘acabado ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente,,, e nossos país não eram proibidos pelo governo, de nos educar através do trabalho.
Certa feita, quando o meu tio, o tenente João Figueiredo era delegado de polícia e colocava os presos para plantar uma horta, enorme,,, eu fui escolhido para vender o excedente da produção nas ruas de Camapuã. Com aquele jeito de falar do povo de Poconé, ele falava um Cuiabanês perfeito. Um dia eu gravo um vídeo no you tube, imitando a pronúncia especial do povo da Baixada Cuiabana. Mas voltando ao assunto, tio João me chamou:
--- Marco Aurélio você gosta de vender, não é?
--- Gosto tio...
--- Então você vai vender as verduras dos presidiários.
--- Sim Senhor...
--- O castigo daqueles presos é produzir a própria comida. A horta já está no ponto de vender. Lá tem Alface, couve, pimentão, cebolinha, repolho, muito tomate e outras verduras.
--- Quanto eu vou ganhar?
--- Muito bem,,, assim que fala um hominho de negócio. Eu estou te chamando porque eu vejo você vendendo picolé nas ruas,,, no campo de futebol,,, vejo você com sua caixa de engraxar sapatos ganhando seu dinheirinho,,, e tenho certeza que você vai dar conta do recado. Bem,,, eu vou te pagar 10 % . Cada 10 pés de alface que você vender, ganha um.
--- Eu sei fazer a conta de porcentagem,,, meu pai já me ensinou. Eu aprendi antes da professora passar esta lição.
--- O Marçal é sabido mesmo,,, - e fazendo uma cara de quem está puxando pela memória, completou: ― Ele aprendeu tudo isto no Exército.
 Desse dia em diante , naquele período, minha mãe não comprou mais verduras. Eu levava verduras pra casa e ainda sobrava dinheiro.
Meu Tio João Figueiredo, com os 90% das verduras, comprava carne, arroz feijão (fedjão),,, tudo que precisava para alimentar os presos e ainda conseguia comprar cigarro para aqueles que tinham o vício de fumar.
Marcus Aurelius
Enviado por Marcus Aurelius em 10/04/2017
Reeditado em 28/04/2017
Código do texto: T5966554
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Marcus Aurelius
Águas Lindas de Goiás - Goiás - Brasil, 64 anos
220 textos (48386 leituras)
11 e-livros (734 leituras)
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Marcus Aurelius