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O nascimento de uma família

Antônio acabava de jogar o copo de café no chão com toda a sua força matinal que possuira num gesto animalesco e desprovido de qualquer sinônimo da palavra - família, e nisso as pessoas que estavam assentadas em volta da mesa, ficaram perplexas com o estalo que o copo americano fez ao se encontrar com o piso da cozinha, a esposa e filha se entreolharam e com devido respeito/medo abaixaram a cabeça deixando o irritado chefe de "família" sair pela porta como um cão raivoso, batendo a porta e quase derrubando a casa junto.
Sophia, a mãe, trêmula, olhou para Vanessa e disse:

-Filha, não fique chateada com seu pai, pois ele está tendo um mal momento.

A filha que não era mais nenhuma criança, com seus 14 anos repletos de cenas do pai descontrolado, apenas abaixou a face e findou mais uma mágoa que acabara de pegar nesses minutos remanescentes que deveriam ser algo único...

Aquela cena do progenitor quebrando o copo fora a última que Vanessa havia prometido guarda em sua rancorosa mente, pois já não havia mais espaço para tanta mágoa.

A garota numa noite fria andando pelas ruas próximas de casa, viu algo que a faria entender o quanto era doloroso ter um pai igual ao dela. Em um bar pé sujo, de longe ela avistou um homem sendo linchado por 4 caras, ao se aproximar, viu que o cara era seu pai, aquilo à fez ir anos atrás, um sentimento avassalador percorria seu corpo, desde a primeira agressão a mãe, ao primeiro tapa na cara que colocara em sua estante de troféus, ao primeiro quebra-quebra em sua casa... E tantos outros voaram em direção a não tomar nenhuma atitude, pois ali poderia extinguir todos seus sofrimentos, seria a hora de comer o tão aguardado prato frio...
O pai todo ensanguentado com os olhos que mal abriam, conseguiu ver sua filha que estava estagnada em sua frente. E sem conseguir falar, emudeceu.
Vanessa em um gesto incomum berrou bem alto e ordenou aos homens que parassem de agredi-lo, imediatamente se jogou ao chão e com seu corpo, colocou-se à frente, lágrimas caiam feito chuva, a garota soluçava e abraçando o pai, o protegeu...
Aquele retrato foi envolvido com a realidade, tanto para um, quanto para o outro. Antônio mesmo um pouco bêbado teve ciência do que Vanessa havia feito. Aquilo comovera o pai que dentro dele estava nascendo um sentimento que jamais teve, o real arrependimento... E na menina a compaixão...
Os dois ficaram por minutos enlaçados, até que a mãe apareceu e se ajuntou a família que nascera ali, naquele momento mais improvável...

A flor do amor às vezes nasce aonde menos esperamos.

E na manhã seguinte estavam os 3 sorrindo, sentados a mesa e tomando um café da manhã reforçado em família....


Felippe Lacerda Cantanhêde Moraes
Enviado por Felippe Lacerda Cantanhêde Moraes em 07/12/2017
Código do texto: T6193053
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Felippe Lacerda Cantanhêde Moraes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 31 anos
371 textos (8454 leituras)
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Felippe Lacerda Cantanhêde Moraes