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A FACE DO DISFARCE

Estou, aqui, andando por esta rua; acabei de sair do inferno. Como fiz tal proeza?
Bem, não foi nada fácil, demorou um pouco; eu já estava assustada com tudo o que via e ouvia lá, naquele motel.
Havia uns homens assustadores sempre me vigiando nestes 21 dias, em que ali estive. Não me tocaram, acho que foi porque sempre diziam que eu era a “perola do chefe”. Pelo menos, foi isso que sempre escutava quando eles queriam me “elogiar”. Você entendeu, não é?
Ufa! Graças a Deus que este tal chefe é muito ocupado; não é pouca coisa ser o dono de quase tudo o que é mega nesta cidade. Por três vezes, ele veria ver “a joia dele”, mas os muitos compromissos da agenda, para o meu bem, o impediu.
Depois disso, decidi que não mais abusaria da sorte, passei a elaborar uma ideia que me livrasse daquela situação. E o que fiz? Fingir que ajudava a camareira a arrumar o quarto em que estava e, sem que os seguranças percebessem, coloquei um bilhetinho com a seguinte pergunta para ela: “eu preciso de três ok´s”. Você está disposta a me atender? A camareira me respondeu, no dia seguinte, bem sutilmente com a cabeça.
Minha felicidade foi instantânea, mas logo veio a inquietação por conta da possibilidade dela, por qualquer razão, voltar atrás ou me trair. Se assim ocorresse, eu estava perdida. Contudo, retive o otimismo e a primeira coisa que pedi a ela foi um pouco de pimenta, depois uma tesoura e, por último, uma roupa bem sensual. Uma coisa por dia, para não levantar suspeita.
Início de noite, o motel estava agitado, do meu quarto ouvia o corredor se transformar numa passarela, era gente de um lado para o outro. Ouvir até risadas enquanto eu chorava presa num quarto, raptada quando voltava do mercado.
Olhei no relógio do cômodo, se aproximava das 20 horas, quando um dos “meus cuidadores”, sem abrir a porta, falou a meia-altura: “o chefe chegou”. Isto acerelou meus batimentos cardíarcos e o medo de meu plano não surtir efeito voltou redobrado.
Mas, duas horas depois, a porta do quarto se abre, pensei que era o dito cujo “chefe”; entretanto, eram os homens de sempre, desta vez, para me levar à suíte presidencial. Por evento de sorte, um segurança teve que atender um chamado urgente, como já havia saido do quarto, pedi para voltar alegando incontinência urinária por causa do pânico.
Ao adentrar no quarto, o segurança que estava comigo caiu, devido a uma forte e certeira pancada na cabeça. A camareira fizera isso!
Então, não esperei ela me pedir para ser ágil, cortei o meu longo cabelo com a tesoura e me vestir de vadia. Suelen me pediu – sim, este é o nome da camareira -, para amarrá-la perto do segurança desacordado, tendo pimenta nos pulsos.
Lembra-se daquele corredor que mais parecia uma passarela? Estava quase vazio!
Vestida a caráter, e com muito lápis nos olhos e baton, passei pela recepção deixando o dinheiro e a chave conforme instrução da Suellen; um dos seguranças que, minutos antes estava comigo, não me reconheceu. Fora dos limites do motel, fui até um orelhão ligar para a polícia e denunciar a condição de Suellen. Este foi o pequeno favor que ela me pediu.
E, por fim, para não correr risco adicional, entrei numa igreja onde estava acontecendo uma vigília. Nada contei sobre mim, deixei que as pessoas pensassem que eu era o que elas viam. Pela manhã, mais próxima de Deus, fui assistida em tudo e voltei para o meu doce lar.
Já em casa, na frente do espelho, dei novamente graças a Deus e, em seguida, cortei mais o cabelo e guardei minha roupa de vadia no guarda-roupa. De agora em diante, ela vai me dar a face do disfarce.
Sei que não perdi minha essência, sou doutrinada, não puritana; aprecio o pudor, mas a roupa que levar dentro da bolsa será a minha segunda pele.



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Radamés Ferreira Sacramento
Enviado por Radamés Ferreira Sacramento em 13/06/2018
Reeditado em 18/06/2018
Código do texto: T6363245
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Radamés Ferreira Sacramento
Salvador - Bahia - Brasil, 44 anos
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