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Era eu Tentando Provar...

 
 
Eu não queria está ali, mas precisava, minha masculinidade estava em questão, rezava para que que a mãe de Daiane aparecesse e nos pusesse pra fora a vassouradas.

Não foi assim que pensei e perder a virgindade, cinco moleques, uma menina, não queria mostrar meu pau, achava que ririam de mim, Goiaba estava na vez, hoje vejo que ele não era tão experiente como dizia ser, fazia um movimento engraçado, semelhante a coelhos copulando, Joel de pé se masturbando, ele seria o próximo, eu rezando pela intercessão de alguém, Gereba, não era tão dotado como se gabava,  eu e o  Gago éramos o único de calção, achei que ele estivesse intimidado por seu pau ser pequeno, mas  quando tirou a bermuda, pendeu sobre as pernas uma monstruosidade  que destoava daquele aspecto franzino e anêmico, não tinha como  evitar, todos demonstraram desconforto, mas nenhum dos meninos jamais comentaria,  Daiane  dois anos mais velha riu espantada,  fez um comentário que nos humilhou.

 Cheguei a pensar que fosse gay, não sabia ao certo o que consistia ser hétero, a frase "eu sô homem!" estava atrelado a valores morais como dignidade e respeito, e é claro, nunca recusar uma buceta, e ali estava eu, contragosto, temendo pela minha reputação.

Parecia fácil, abaixar calção deitar-se sobre ela e repetir os movimentos, Daiane era debochada escandalosa, e sabia fazer, para todos nós, era uma descoberta, para ela um favor, além de, que ela adorava se deleitar com nosso medo, qualquer erro seria fatal, O bairro inteiro saberia, ninguém ali ejaculava, não tínhamos idade, o orgasmo era apenas uma pulsação seguido de um desconforto. Não conseguia ficar de pau duro, porra! eu treinei tanto, sei que os moleques ficavam excitado por qualquer coisa, até animais cruzando, e eu, nada. Lembro que o  Michel disse que uma vez que   havia se masturbado por  absorvente sujo. Sentia o pesar inconsolável da  frustração, por não cumprir com meu papel. Todo mundo ia  dizer que tenho medo de mulher, como explicar não era este o caso, que o cheiro de urina e cueca suja ,  dava mais nojo do que excitação.

 Como uma intervenção divina, o irmão de Daiana  começou a chorar no berço do quarto ao lado. Ela empurra Goiaba e se levanta para ver o que o incomoda. Olha para o relógio e diz que precisamos embora que sua mãe vai chegar, Joel pede ao menos que deixe sentir um pouquinho. Ela volta a se deitar, goiaba se prontifica
"Você já foi. Você"
E aponta pra mim como um carrasco que sente o cheiro do medo.
"Vai meter de roupa?"
Eu finjo desprendimento,gaguejo, e  Joel  interrompe reclamando:
"Ele é quinto da fila !"
"Eu dou pra quem eu quiser!"
  O barulho de ferro do portão,faz  ela saltar colocando vestido de qualquer jeito, "Bendita  Dona Rita!",  Gago que está perto da janela, pega o calção no chão , e sem olhar  pula, sou o segundo, Gereba vem junto, goiaba que completamente pelado  sai pelo quintal dos fundos vestindo a cueca a o avesso, rasgo minha camiseta no arame farpado ao passar pela cerca, seria impossível não sermos notado, diante do rebuliço, no restante da tarde Dona Rita foi  de porta em porta dar queixa de quem estavam fazendo safadeza e sua casa.

"Quem tem suas cabras que as prendam por que meu bode ta solto".
Falou seu Ademar, pai do Goiaba com cigarro entre os dentes e uma certa satisfação de ter feito um filho macho. Ele só não sabia que goiaba transava com qualquer coisa, não apenas meninas, mas meninos, galinhas cabras até objetos inanimados, como ursos de pelúcia de sua irmã.

Joel foi espancado, seu pai tinha dificuldade de compreensão, entendera que estava apenas entre meninos, e isto era imperdoável.
Daiane foi levada pra morar com pai em outra cidade.
Minha mãe não estava em casa. tia Nilza ouviu as queixas e garantiu que tomaria as providências, mas nada fez, "brincadeiras de criança."
 O escândalo durou poucos dias, por que na semana seguinte, seu o pastor Gideão foi pego pelo filho dando o cú para um obreiro da igreja.

Eram muitas coisas em jogo, quebrar o cabaço era a menor das aflições, via-me imerso em uma situação que todo ali alegavam conhecer, não se sentir à vontade estava diretamente associado  à fraqueza, um legado que não suportaria carregar na longa e complexa jornada que já prenunciava com uma penugem ridícula  no boço. Nao aguentaria a roda dos escarnecedores, no campinho, na escola ou qualquer outro lugar que notícia chegaria antes de mim.

Não acredito que haja um culpado pelas circunstâncias, quer dizer , eu poderia  não ter ido , poderia ter dito que não queria, mas somos pegos por nossas próprias  armadilhas, quantas vezes  me gabei,  enalteci minha moral com base em mentiras absurdas sobre o sexo. Ou mesmo fiz parte daqueles que julgam de maneira perversa, a comicidade de situações deste tipo.
 
Agora ali, com o cú na mão, diante de uma fatídica sentença,  esperando que uma força externa me salvasse. Dona Rita faleceu e nem tive tempo de agradece-la, sabe-se lá  a proporção que as coisas poderiam ter tomado. Depois,  ainda fingi por um tempo como vitima do azar.
Frank N de Souza
Enviado por Frank N de Souza em 11/01/2019
Reeditado em 11/01/2019
Código do texto: T6548582
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Frank N de Souza
Francisco Morato - São Paulo - Brasil, 34 anos
32 textos (1546 leituras)
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Frank N de Souza