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Francisca (Releitura do poema “Francisca”, de Radyr Gonçalves.)

Abro o velho álbum. Paris, a cidade luz, nele embutida, e dessas imagens me vem Francisca. Então, eu volto no tempo e me pego cantarolando uma velha lira. A lira que nós cantávamos.
Volto à boca da praia e vejo o olhar de Francisca ancorado no mar, a contemplá-lo. O mundo ficava parado, quando estávamos juntos. As rimas da música que cantávamos faziam o mundo desabar de forma tão bela! Então, assistíamos a tudo, ali, vendo o mar derramando-se na praia.
A grafia nas cartas passadas e as fotografias me fazem lembrar de tanta coisa: do feixe, da frecha, do lagar... Da lagarta bordando uma flor; da fome do lírio... Lembro-me de como eu e Francisca ríamos do vestido das aves e do horror que os espantalhos lhes causavam.
Nosso mundo, que antes desabava em rimas, desabou em rumos. Seguimos rumos diferentes. Hoje, tudo são retalhos do passado. Eu lembro-me do peixe, da isca. Lembro-me de Francisca e de sua roma particular...De nós dois na ribeira, na boca da praia...
Hoje, quero cantar aquela lira, mas não consigo mais. Eu vejo o leite talhado. Olho para o telhado e choro.

* Minha indicação de leitura vai para a escrivaninha de Aragón Guerrero, um espanhol que trata a Língua Portuguesa como se fosse a materna.
Suely Andrade
Enviado por Suely Andrade em 12/01/2019
Reeditado em 12/01/2019
Código do texto: T6549549
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Suely Andrade
Fortaleza - Ceará - Brasil
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