Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

"ZEIT" - Codinome - "AMIGO"



Eu conheci um extraterrestre, que se mantinha em segredo desde muito antes de meu pai nascer. Por algum motivo que nem ele sabia, seus conterrâneos - até hoje - não vieram lhe buscar. Ele se sentava todo dia em frente à minha lojinha e me contou de sua origem depois de notar que eu não me sentia muito dali, daqui e de acolá... e que tampouco era muito de falar. Eu vi - certa vez - em seu olhar, um brilho não-humano... que se juntou à sua bondade incomum... muito esquisita.

Quando ele me olhou - com seus verdadeiros olhos e verdadeira face... - eu não tive medo. Apenas me senti incrivelmente... vago. Pela primeira vez, - e talvez única - na vida eu senti dentro de mim, de forma real e extremamente física... a imensidão do universo.

- "Além de vocês serem poucos... vocês não se unem. Jamais se defenderão.".
- Você veio nos matar? – Perguntei sorrindo, mas a preocupação era genuína.
- “Você sairia correndo até a delegacia...? Ou até seus amigos, se minha intenção fosse ruim?” - Eu não soube dizer, apenas saí de minha cadeira e me sentei no chão ao seu lado... segurei sua mão.

Nada nele parecia diferente, nada suspeito. Nos demos as mãos em silencio por alguns minutos. Eu pensava em guerras... e no fim da humanidade. Pensava na raça de meu amigo se aproximando com suas naves. E, percebendo a vaga possibilidade da não-selvageria da nossa parte... raios seriam lançados. Bombas indolores (o sofrimento não é sua intenção) ... em poucos dias tudo seria reduzido à corpos esfarelados e familiares restantes (intencionalmente sobreviventes) de luto tentando se refugiar em locais altos, alguns desesperados de dor se suicidando em seguida. Era uma visão triste, a minha...

Crianças passavam correndo e gargalhando. Choravam apenas se caíssem e se machucassem.

- “Em forma bruta, vocês humanos... são a raça perfeita. As entidades mais antigas, criadoras do universo... tentaram lhes dar o máximo de sua própria bondade, luz e beleza... muito mais do que com as outras raças no universo afora. Raças antigas, como a minha. Os deuses quiseram muito mais bondade em vocês. Porém, diante desta “bondade bruta”, a sua sensibilidade lhes faz julgar mal os outros seres.”
 
- Nosso problema é que somos bons demais?


Fim da parte 1.

(H.B)
Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 15/01/2019
Código do texto: T6551778
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Henrique Britto
Salvador - Bahia - Brasil, 34 anos
591 textos (8834 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/02/19 21:24)
Henrique Britto