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N╩GO ABDIAS

Nêgo Abdias

Quando eu era pequeno, chamavam a ele de Lolô, quase dois metros de altura, parecia ter algum pacto, sempre, soturno e afoito, olhava a gente lá no fundo da alma, dava medo, vê-lo de madrugada, bêbado, babando, fugindo talvez, morreu estóporado.

Dizem que saiu de manhã, foi fazer a feira, tinha sonhado com os mistérios naquela noite. Selou a mula e tomou o rumo, entrou pelas bandas de Acauã, acompanhando a linha de ferro, ora saindo das Angélicas, ia chegar na rua pelas seis e meia ou sete, passou no açougue, comprou um corredor, Zé Vicente tava ficando careiro, aí foi quando viu Benedito de Zé Preto.

- Peraí negão, vou fazer a feira, depois a gente se encontra.

Dito e feito, junto tudo, pendurou na sela, antes do posto, mais de dez barracos, duas aqui, meia hora de prosa e política, sacanagens, tomou rumo de casa, umas onze e meia. Passou na Guritiba.

Viram quando passou na Caiçara, em busca da casa de Chico Felismino, até que falou com Sô Beinvê, depois do tabuleiro talvez, antes de chegar na capela ou na varjota, deve ter caminhado muito a pé, se arrastado, talvez, o cavalo apareceu sozinho já quase dez horas, no domingo e ele só foram achar de tardezinha, inchado já, trataram de enterrá-lo, logo. Quase ninguém viu o enterro, fizeram apenas sua obrigação, cada um, foi para casa mais tranqüilo, afinal de contas, tinham ficado livres dos olhares soturnos do Nêgo Abdias.

arupemba
Enviado por arupemba em 26/09/2007
Cˇdigo do texto: T669052
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Sobre o autor
arupemba
Sousa - ParaÝba - Brasil, 51 anos
9 textos (726 leituras)
(estatÝsticas atualizadas diariamente - ˙ltima atualizašŃo em 18/12/17 15:13)
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