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RABO DE SAIA



Maria Helena, para quem tivesse alguma impressão dela, era moça alegre, extrovertida, boa companhia, prestativa demais, sempre com bons conselhos e um par de ouvidos pacienciosíssimos para escutar desabafos, aliás, este era o seu forte.
Escutava das amigas sobre seus maridos, namorados, ficantes e ao fim, sempre tinha alguma boa palavra...

Acontece que Maria Helena era perigosíssima!
Ficava de olho nos pares de suas amigas, escolhendo algum desavisado para lhe nutrir os sonhos.
A noite, deitada em seu leito solitário, ficava imaginando uma forma de abalar o relacionamento dos dois e, muito ardilosa, acabava conseguindo ou que se separassem, ou manter um romance às escondidas com o "eleito".

Então vivia um romance tórrido, tresloucado, cheio de aventuras e perigos e prazeres, mas depois enjoava, passava um tempo sozinha, desanimada, para mais tarde escolher um outro casal para atacar e lucrar com a paixão que despertava no homem, que nem sempre resistia.

Assim foi, dissimuladamente, até que ganhou fama e as amigas que tinham seu par, evitavam a sua presença e companhia, restando somente as amigas solteiras.

Entediada e sem acesso ao que mais despertava o seu interesse, que eram os homens comprometidos, do nada começou a querer conquistar as amigas que tinha.
Jogava charme, fazia a cabeça das moças, insistia, até conseguir desencaminhar alguma, levando a relação de amizade para a cama em novas experiências...

Ela não tinha um pingo de caráter, era completamente amoral, mas conseguia manter uma boa fachada, porque sabia se comportar em grupo e quase ninguém sabia o que ela aprontava de fato.

A idade foi chegando, perdeu o gosto pelas coisas impróprias, queria sossego e só enxergava sossego em sua vida, se arrumasse um marido que lhe fizesse as vontades sem pestanejar.

Começou a frequentar livrarias e cafés, passava todo o final de semana lendo algum livro de poemas na mesa das cafeterias, observando os homens solitários que costumavam frequentar os mesmos lugares e sempre encontrava maneira de travar conhecimento com quem pudesse ser uma presa fácil e se mostrasse disponível. Desta vez não queria ninguém comprometido, estava cansada de brevidades.

Conheceu Arthur, um contador aposentado, também apreciador de poesias e começaram um relacionamento, primeiro superficial, que aos poucos foi tomando intimidade.
Ele então lhe franqueou a sua casa, onde ela passava o tempo livre, sempre tendo o cuidado de envolver o homem nas suas tramas emocionais.

Entrosou bem com os poucos amigos que Arthur tinha, também com seus dois filhos de um casamento fracassado e o cercava de mimos, fazendo o ninho para quando se tornassem pombinhos de verdade.

Em seu trabalho, as pessoas que conheciam de perto o seu comportamento inadequado, estavam surpresas com este seu envolvimento, duradouro, caseiro, parecendo familiar e com algum futuro. Pensavam que ela tinha tomado jeito!

Arthur começou a não ver sentido nenhum dos dois morarem em casas separadas e a convidou definitivamente para o seu apartamento. Antes de aceitar, ela foi ao interior, conversar com os seus pais.
Disse que conhecera um homem maduro, pai de dois filhos adultos e casados e que ele a convidara para morarem juntos.

Sus pais não viram com bons olhos o fato da filha se amigar, mas já que era adulta e independente, que tomasse a decisão que achasse melhor.
Em breve marcou visita para trazer Arthur para conhece-los e assim fez.
Na volta dessa viagem, com tudo já arrumado, mudou-se para a casa dele.

Aproveitou alguns de seus móveis que levou consigo, os outros doou ou vendeu e entregou o apartamento, que era alugado, tudo muito às claras do novo "marido".

Acontece que alugou outro, menorzinho e montou com o indispensável, sem que Arthur tivesse conhecimento. Ali passava algumas horas por semana, na companhia de Elizete, sua primeira amante que se casara fazia dois anos, mas nunca se abandonaram.

Ene Ribeiro
Enviado por Ene Ribeiro em 11/11/2019
Código do texto: T6792606
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Ene Ribeiro
Goiânia - Goiás - Brasil, 57 anos
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Ene Ribeiro

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