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“ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO”

                                                                              JANJÃO
Um cachorro pequeno passa pelo corpo, abanando o rabo. O corpo não se sabe de onde veio. Só se sabe, que foi deixado ali por quatro homens que vieram em uma Veraneio laranja. O bar, repleto de cachaceiros e gente do futebol de várzea, discutia quem era melhor: Rivelino ou Tostão.

Alem disto, a televisão preto e branco, ligada estava, nos gols da rodada, apresentados pela zebrinha da loteria. Ninguém ou quase ninguém, viu os Homens do carro preto, descerem e jogarem aquela pessoa. Mas todos ouviram o barulho do corpo ao se chocar com o chão, enlameado de vômitos da limeirinha, pinga da terra.

Assim o primeiro curioso, avisou os outros, que o defunto era menino, no máximo dezoito e que tinha marcas de queimaduras espalhadas.
Aí alguém disse: foi a dura, sem pena e sem dó. Nenhuma identificação, não era do bairro, nem nas redondezas. Os tempos eram de chumbo: se foi a dura disse outro, não vão querer o corpo. Deixa ele aí, os urubus dão conta amanhã, completou um terceiro.

Um a um, tratou de pagar ou pendurar sua conta e ir pra casa. 20 minutos, após o depósito feito pelos homens, na frente do bar (agora fechado), restou apenas o corpo. No caminho, os do bar, diziam aos passantes “Ta lá um corpo estendido no chão”.
dialetico
Enviado por dialetico em 05/10/2007
Código do texto: T681324
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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