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O Advogado de Marighela

                                                                                   JANJÃO
O ano era 1969, os alto falantes do estádio do Morumbi, anunciavam que o famoso “Terrorista”, Carlos Marighela em um tiroteio com a polícia, tinha acabado de falecer.

O Jogo era um Corinthians e São Paulo, clássico do futebol paulista, em que desfilavam craques como Rivelino, Toninho Guerreiro, Ado, Gerson e outros.

Na geral se encontrava o estudante de direito Edgar, torcedor do Timão. Ao ouvir a noticia, Edgar fanático torcedor, enrolou a bandeira e abandonou o estádio ainda no 1° Tempo.

Saindo do Morumbi, apanhou um ônibus e rumou para a Lapa, residência de seu professor e companheiro de organização política o Dr. Cláudio, conhecido entre os militantes de esquerda por defender os presos e perseguidos políticos.

Chegando na casa do Professor/Advogado, lá estavam Estevão, Maristela, Rubens e Sueli, integrantes do comitê central da Ala Vermelha, uma das organizações de resistência armada contra a ditadura e aliados das posições de Marighela. Chocados e putos, os jovens ali reunidos não sabiam o que fazer.

Afinal das contas, caiu um dos lideres da “Revolução Socialista”, no Brasil, ficamos órfãos, disse um dos garotos. Professor Cláudio, tranqüilo e paciente como sempre, pediu a palavra e disse: “Tudo faremos para provar que Marighela, foi barbaramente assassinado e que não resistiu a prisão, mesmo porque tempo não houve para isto”.

Edgar então, indaga” Mas como professor? Neste País, os militares são a lei e fazem a lei, como vamos provar o contrario se a lei esta com eles?. Cláudio com a paciência de Jô que Deus lhe deu, proferiu: “ A Luta faz Lei, tentarei junto com a família e os instrumentos jurídicos, mesmo viciados e condicionados a vontade militar, provar a tese do assassinato. Mas a Luta faz a Lei, não se esqueçam disto”.

Todos saíram da reunião, pensando nas palavras e principalmente na frase do Advogado de Marighela.

Dias depois a casa do Dr. Cláudio, foi invadida pela polícia política da ditadura, que o levou e nunca mais o Professor apareceu. Edgar após este fato, mesmo como estudante ofereceu seus serviços voluntários e solidários a família Marighela. È advogado da mesma até hoje.
dialetico
Enviado por dialetico em 09/10/2007
Código do texto: T686642
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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