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Projetos...Responsabilidades...Realizações!

Estava lá a moça, no seu mundo tranquilo. Se é que se pode considerar o mundo de hoje tranquilo.
Levava sua vidinha sem grandes sobressaltos, andava na contra mão da história feminina. Enquanto suas amigas e conhecidas buscavam o auge da carreira profissional aos 30 anos, ela era mãe pela segunda vez.
Por inúmeras vezes ouviu que era um absurdo mulher ficar em casa, ser sustentada pelo marido. Viver as voltas com vassouras, panelas e fraldas de bebê, isso é coisa do tempo das avós.
Mas ela pouco se importava, encontrou realização nas pequenas rotinas da sua vida. Cuidar com carinho da casa, das roupas e da alimentação da família.
Não que em alguns momentos a dúvida não a tivesse atormentado, se achava diferente e desinteressante. Enquanto suas amigas falavam de moda, de planilhas, de "dps" da faculdade, ela tinha como assuntos prediletos  as façanhas de seus filhos.
Sua filha era inteligência pura, desenhava aos três anos melhor que muito marmanjo, e aos nove uma grande promessa, meiga e companheira. Seu bebê um anjinho, que não dava trabalho nenhum.
Mas quis o destino que as coisas mudassem, e ela começou a se sentir estagnada e que poderia e deveria ocupar melhor seu tempo. Primeiro vieram os cursos de bordado, corte e costura, mas difícil era prender sua atenção por muito tempo.
Descobriu então o fascínio dos salões de beleza, não que os frequentasse sempre, pois achava que seu tempo e dinheiro poderiam ser melhor gasto em outras coisas, mesmo porque ela se cuidava muito bem sozinha. Costumava dizer que só não cortava o cabelo sozinha porque não enxergava as costas.
Foi fazer um curso de depilação, e já sabia trabalhar como manicura muito bem, e assim saiu do seu casulo e foi enfrentar o mundão das mulheres de mil tarefas.
Começava aí sua vida de mulher, mãe, profissional e dona de casa.
Não durou muito essa fase, os filhos ainda eram seu maior tesouro e deixá-los aos cuidados de empregadas a desagradava muito.
A mudança iniciada tinha de ser completada, queria estar exausta ao final do dia, que suas energias fossem mínimas para que pudesse deitar e apagar, pois a muito que a insônia lhe era companheira.
Veio então a decisão mais importante para a família, iriam todos mudar de vida. O marido homem trabalhador que pouco ficava em casa devido suas atribuições queria mais tempo para viver, e se possível trabalhar um pouco menos e ter um pouco mais para gastar.
Assumiram um grande projeto, o de ter uma vida melhor de qualidade. Como nada é de graça, vieram as enormes responsabilidades de tudo dar certo. Afinal mexeram com a vida da família toda, além do emprego estável, tinha os amigos e os parentes que deixaram para trás. A responsabilidade financeira e emocional tinham quase o mesmo peso.
Como Deus é pai não é padrasto, mandou na bagagem deles as imensas realizações. Seus filhos estão adaptados, cada um despertando para uma bela vida, sorriem e brincam e fazem as alegrias desses dias tão esperados.
A satisfação de lutar por dias melhores dá animo, não que tudo seja flores, afinal pedras existem em qualquer caminho e em qualquer lugar.
Os planos se modificaram um pouco, não vão trabalhar juntos como imaginaram, mas estão caminhando juntos para que mais realizações aconteçam.
A moça hoje vai trabalhar fora, tem o apoio do marido, da mãe e dos filhos, terá uma tarefa remunerada, além das outras já acumuladas.
No final das contas tudo se ajeita, a vida e o mundo se transformam e as pessoas crescem e amadurecem, caminham, não param.
Patricia Elizabeth
Enviado por Patricia Elizabeth em 17/10/2007
Reeditado em 19/10/2007
Código do texto: T697872
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Sobre a autora
Patricia Elizabeth
Londrina - Paraná - Brasil, 43 anos
67 textos (7692 leituras)
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Patricia Elizabeth