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Vícios

Parece normal quando um humano se apega tanto a alguma coisa, podendo isto ser tanto um objeto pessoal quanto algo que faz, que acaba não podendo ficar sem fazer tal coisa. Muitos desses vícios podem ser apenas algo como se ver no espelho, mas é claro que podem ser bem piores que isso.

Algumas dessas manias, é claro, podem não exprimir algo negativo para pessoa tão obviamente como outras. Drogas, por exemplo, são obviamente maléficas para o organismo humano, mas trazem uma sensação de divertimento e de perda de todos os problemas que afligem aquele infeliz que achou um pequeno sabor na vida naquele canto tão obscuro.

Entretanto, algumas pessoas têm o bom senso de saberem quando esses exageros estão destruindo coisas mais preciosas de sua vida, como uma amizade ou a família. Então, em certa hora, chega o tempo de negar tal coisa. Alguns conseguem. Outros não.

- Ah... Só mais uma vez... Não vai fazer mal nenhum...

O mal nenhum normalmente significa que passará mais uma série de enrascadas por causa daquela maldita fixação, e continuará a perder algo precioso, e muitas vezes, sem se dar conta disto. Novamente chegará a hora de dizer não para o vício, e novamente umas desculpas idiotas aparecerão para prorrogar o momento da despedida.

Uma vez alguns cientistas fizeram uma experiência com um tal de Harry Alexandre, um viciado típico da internet. Ele iria passar em torno de um mês sem internet e sem contato com outras pessoas. Iria ficar preso em um lugar apenas com alguns livros e alguns outros itens, básicos, para ficar ali. Ao fim de cada semana teria de fazer um pequeno vídeo para relatar como ele estava indo.

A primeira semana se passou normal, sem qualquer evento fora do comum. Ele parecia um tanto ansioso, mas nada desesperador.

- Aqui é Harry. Harry Alexandre. Estou há uma semana sem internet, e obviamente está tudo bem. Passei quase toda a semana lendo alguns livros. Realmente tem alguns bem interessantes que nunca tinha sequer pensado em ler. A capital da França é Paris. Até a outra semana.

Sete dias se passaram, e os cientistas continuavam a observar calmamente o que o estudado fazia. Logo chegou o vídeo da semana.

- Vocês sabem meu nome e sobrenome. Vocês também sabem que estou sem internet há muito tempo e preciso checar meu orkut e meu e-mail! Mas pelo visto, vocês não deixarão, certo? A capital do Uruguai é... É... É... Montevidéu? Não! Não! Buenos... Não, é Montevidéu mesmo...

Parecia que as coisas estavam começando a perder o controle. No meio da semana os psicólogos continuavam a observar pelas câmeras que para ele inexistiam. Começaram a observar algumas coisas estranhas, como ele tentando atirar uma coxa de frango em um livro, mas não acharam que era algo grave, ao menos até verem o vídeo da terceira semana.

- Meu nome é Harry. Harry Potter. Estou há três semanas, inteiras, sem encontrar meu arquiinimigo, Frodo Bolseiro. A capital do Brasil é Ottawa. Até o próximo ciclo lunar.

Achando que finalmente as coisas tinham passado dos limites, Harry foi ser tirado do aprisionamento.

- Não! Vocês não vão me levar para o seu planeta! Morte aos alienígenas!
Bruno Eleres
Enviado por Bruno Eleres em 05/11/2007
Reeditado em 08/11/2007
Código do texto: T724717

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Sobre o autor
Bruno Eleres
Belém - Pará - Brasil, 26 anos
46 textos (1904 leituras)
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Bruno Eleres