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Lesfar Inmors - Cap 5 - A face de um Vampiro (Por Therra Santis)

Leia o Capítulo 4 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/735491

    Nesta noite vários sonhos e pesadelos passaram por minha mente, mas um em especial me chamou a atenção e que ainda me faz vive-lo:
    Aquela bela garota de pele branca - vestida numa camisola preta, com maquiagem negra nos olhos e nos lábios - veio até mim numa escura rua e pediu-me que a beijasse. Naru pediu-me aquele beijo tão delicadamente que não poderia resistir. Seus lábios se contraindo, esperando que os meus os banhassem. Era bom tudo aquilo, mas eu tremia, não podia me controlar, não sei por que, mas era como me sentia... Ela puxou-me, segurando-me pelo pescoço, aproximou-se e encostou seus lábios aos meus. Foi extremamente excitante, mas uma estranha força retiroume de seus braços, empurrando-nos para lados opostos, fazendo com que Naru caísse ao chão.
    Sob a fraca luz de uma luminária estava um ser de roupa preta, calçados militares e sobretudo. Tinha cabelos longos que cobriam seus olhos, deixando expostos somente parte de seus olhos e lábios. Ele quase não se mexia e podia-se ver, mesmo que não muito claramente, um satânico sorriso que deixava expostos longos caninos. Naru que ainda se encontrava sentada, mas agora mais delicadamente, fixava-o como que se hipnotizada por este; sua concentração não fora retirada nem mesmo pelo forte vento que balançava seus longos cabelos. Eu não sabia o por que dela se perder em seu olhar, no começo parecendo feliz, mas pouco depois com medo.
    O ser andou em direção a ela, em passos curtos e grotescos, com as mãos nos bolsos de sua veste e olhando fixamente para Naru. Ao se aproximar ofereceu-a sua mão para ajudá-la a se levantar; Naru hesitou por um tempo, mas aceitou e logo que sua mão encostou na dele ela a retirou, como se algo a machucasse.
    Não conseguia me mexer, não sabia o que fazer naquela situação e tudo se apresentava cada vez mais estranho. Mas mesmo assim ainda conseguia falar e fiz uma pergunta que, mesmo aterrorizado, de alguma maneira já sabia a resposta:
    - Quem é você?
    De costas para mim o ser levantou a cabeça e falou:
    - Não se lembra de mim? Meu falso amigo!
    Ao terminar de falar virou-se, demonstrando demasiada raiva em seus olhos.
    Enquanto os olhos de Naru formavam gotas de lágrimas que escorriam delicadamente pelo seu lindo rosto, os meus tremiam de medo.
    Naru levantou-se e andou, primeiramente parecia ir ao encontro do ser, mas logo após mudou de rumo e ao chegar abraçou-me.
    - O que está fazendo aqui Lesfar? - Perguntou Naru em meus braços.
    - Nada, somente vim ver esta ridícula cena - Respondeu Lesfar com um tom de arrogância em sua voz.
    Houve um curto momento de silencio e Naru deu-me outro beijo, só que agora não tão excitante, pois sabia eu estar sendo presenciado por quem mais me odiava.
    Lesfar deu-nos as costas e andou até estar novamente sob a fraca luz da luminária. Naru afastou-me de seus braços e com sua voz meiga disse a Lesfar:
    - Sei de tudo o que sentia por mim, mas você também sabe que antes de me amar eu já o amava... Mas agora tudo mudou, não te amo mais, mas sim a Therra, por favor compreenda-me!
    - Não! - Disse Lesfar - Não posso te compreender, pois nem a mim mesmo o faço. Mas mesmo assim, sem você Lucy e Inane eu não seria o que sou hoje e estaria como ele - Olhava-me - Sendo humilhado por outros pelo único motivo de não ser como a todos e não ter coragem de se defender.
    Essa últimas palavras apertaram meu coração, mesmo sabendo que era verdade.
    - O que faz aqui? Vai embora, deixe-nos em paz, não vê que não te queremos por perto? - Não resisti e enfrentei-o.
    - Oh! O garoto criou coragem de falar! Na verdade você não me quer por perto, mas ela sim e isso é o que importa! - Disse Lesfar.
    - Ela importa? Só se for para você, pois para mim ela é só como um objeto e nada mais - Disse eu olhando diretamente nos olhos de naru.
    - Se é assim que você pensa, respeitarei isso, mas mesmo assim se arrependerá por suas palavras - Os olhos de Lesfar estava opacos e sem vida.
    Naru agora mudara sua feição completamente parecendo sentir-se rejeitada, afastou-se de nós lentamente enquanto lágrimas corriam de seus olhos.
    - Como deve ter percebido ele não te ama - Disse Lesfar para Naru - Então vá, acorde primeiro deste pesadelo e chame-o, mas saiba que tudo o que vocês disseram ou fizeram aqui não foi inconscientemente, mas sim o que vocês desejavam ter dito ou feito realmente, mesmo fora de um sonho...
    Lesfar aproximou-se de Naru e a entregou algo que não consegui distinguir o que poderia ser.
    - Agora vá! – Disse a ela.
    Rapidamente Naru foi retirada do chão e arremessada, não sei como, ao alto, sumindo na escuridão do céu.
    O que aconteceu? Porque ele dizia que aquilo era um sonho se parecia tudo tão real? E como Naru pode sumir daquele jeito? Era tudo tão confuso que enlouqueci, não pude mais conter minha raiva e retirei um punhal que carregava comigo e ataquei a Lesfar... Mas antes desejei que tudo fosse realmente um sonho e quando acordasse não lembrasse de nada... O punhal atravessou-o como a um fantasma.
    Acordei com alguém batendo fortemente na porta. Levantei e fui atender, era Naru, pálida e ofegante. Tentava quase sem voz dizer-me alguma coisa. deixei-a entrar e ofereci-lhe uma toalha, pois lá fora o céu chorava. Demorou um tempo para que ela se recuperasse, mesmo que sua ansiedade ainda continuasse.
    - Therra, me desculpe por vir a esta hora - Disse Naru - Mas é que aconteceu algo estranho comigo.
    - Não se preocupe, você me tirou de um pesadelo - Respondi-a.
    - Um pesadelo! Sobre o que? - A face de Naru ficava cada vez mais pálida.
    - Não me lembro mais, foi algo bobo - Esta hora senti um calafrio percorrer minha nuca.
    - Por acaso esse pesadelo foi com ele?
    - Ele? - Perguntei.
    - É... - A pausa em sua fala me fez tremer - Lesfar...
    Porque um simples nome pode fazer alguém tremer tanto?
    - Lembrou-se? - Perguntou-me indo em minha direção - Ah, quero dizer, de tudo! Ah, do que me disse!
    Meu sangue congelou até a última gota, mas respondi-a com sinceridade:
    - Sim de tudo... Mas não fui eu... Acredite... Eu te amo!
    - Então porque sonhamos a mesma coisa? E porque acordei caindo em minha cama? E ainda tem isso...
    Ao abrir uma das mão tinha um crucifixo feito em pedra negra. Ela entregoume o crucifixo e vi que nele havia uma inscrição (Fácil Descer Ao Inferno) que enquanto eu a lia, ela brilhava, parecendo escrita em fogo. As paredes da casa derretiam e tudo que nela existia sumia, inclusive Naru, para dar lugar a rios de fogo que corriam por todos os lados. Ao longe nada se via a não ser fogo e o céu estava num negro infinito. Uma enorme cascata se formou e eu (que estava encima de uma pedra) caí, caia para o nada, para o nunca.
    - Aconteceu a mesma coisa comigo - A voz de Naru penetrou em meus ouvidos e voltei a velha sala de estar, suando e com partes da roupa chamuscada - Acredito que tudo o que tenha acontecido no sonho seja verdade e você não me ama mais, na verdade nunca me amou! Por isso vou embora agora e sumirei da sua vida! E por favor, nunca mais me procure, não agüento mais sofrer - Eu não sabia o que dizer a ela.
    Deixei-a ir embora sem dizer nenhuma palavra. Lembrei-me de tudo claramente, me senti como se tivesse sido condenado a prisão perpetua e na mesma hora em que pronunciava palavras de desprezo a Lesfar ele entrou em minha casa com a cabeça de Naru em suas mãos...

Leia o capítulo 6 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/754867
Lesfar Inmors
Enviado por Lesfar Inmors em 22/11/2007
Reeditado em 27/11/2007
Código do texto: T747664

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Sobre o autor
Lesfar Inmors
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
45 textos (3011 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 17:11)
Lesfar Inmors