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Montanha

Era cedo, no céu o arroxeado do amanhecer, os pardais acordavam já barulhentos, como crianças num parque. O vento gelava meu rosto fazendo com que a vida se agitasse em mim. Descrever tal sensação é impossível. Tentei me concentrar em algum pensamento, em vão minha mente estava limpa como o céu que aos poucos clareava. Uma borboleta pousou rapidamente no meu ombro esquerdo e seguiu seu caminho, a segui com o olhar e primeira coisa que me veio na cabeça “O que essa borboleta, faz aqui numa hora dessas?” “E quem disse que tem hora certa para que uma borboleta voe? Por acaso elas usam relógio e são escravas do tempo como nós, seres humanos tidos como racionais?” Continuei, é isso às vezes acontece, dialogar comigo mesmo em silêncio, por mais estranho que possa parecer.

Aquela borboleta continuou seu vôo para esquerda, na direção de uma grande montanha, ao vê-la levei um susto. Ela era imensa, majestosa, senhora de si, como nunca a havia notado antes? Se sempre passava por ali? Logo veio a resposta: Tempo, o maldito tempo, sempre perdido, corremos tanto, pra lugar algum, sem saber o motivo e deixamos de perceber o mundo que nos rodeia se quer enxergamos as pessoas que caminham ao nosso lado, todos os dias.

Fixei meu olhar na montanha, que me prendia, comecei a andar em sua direção, era como se existisse um cordão invisível que puxava até ela. Quando cheguei ao sopé, olhei para cima, era ainda maior e mais soberana do que havia imaginado, me aproximei um pouco mais, a toquei primeiro com uma mão, depois com a outra, por fim abri os braços como se quisesse abraçá-la como fazemos com um grande amigo, encostei meu rosto no seu “corpo”, a terra era como uma carícia. Naquele momento eu era uma partícula daquela montanha, a sensação de pequenez coabitava com o sentimento de grandeza, por ser parte daquele ser. Deixei-me ficar ali ouvindo, sentindo o pulsar da terra.

Quantos passam por ela sem notá-la? E para quais (quem) a Montanha se mostra? Neste momento montanha era com o um ser humano, que não se mostra por completo de cara e muito menos para todos. Seres que num primeiro momento passam a impressão de aridez e, no entanto quando nos aproximamos, o solo pode até ser duro, porém é coberto por flores tão coloridas como borboletas.

Giliane Moura
Enviado por Giliane Moura em 20/04/2008
Código do texto: T954425
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Giliane Moura
Santo André - São Paulo - Brasil, 38 anos
20 textos (706 leituras)
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Giliane Moura