Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

VESTIBULAR


Estava sem freqüentar escola há mais de vinte anos e resolvi prestar vestibular para a faculdade de Urbanização (Infra-estrutura urbana).
Estudar... Bom eu não peguei em um livro, não tinha paciência. Passar no vestibular não era uma prioridade e nem a coisa mais importante que poderia me acontecer. Não tinha nenhum motivo para ficar ansiosa, mas não consegui me convencer disto.
Na véspera do exame passei o dia com dor na barriga e cabeça e muito tensa. Quando chegou a noite estava me sentindo mal. Resolvi ir ao hospital para que o médico me receitasse alguma coisa. O médico do plantão era o Dr. Edson, meu amigo, que nem por isto me poupou e foi logo dizendo:
- Deixe de frescura. Não acho aconselhável tomar calmantes, amanhã você vai fazer prova... A dor na barriga é por causa da ansiedade... Se tivesse diarréia poderíamos administrar um sorinho, mas não tem... Vai tomar uma injeção para dor de cabeça e em casa tome um chá e relaxe.
Bem que eu já havia tentado me convencer a relaxar, mas não consegui. Retornei a casa e tentei dormir.
A cabeça estava a mil e não conseguia pegar no sono. Percebi uma mancha roxa no local onde havia sido aplicada a injeção... Lembrei que precisava de uma caneta preta para fazer a prova... Mas compraria no outro dia, provavelmente haveria algum camelô vendendo na porta do colégio... Pensei em não ir fazer o exame porque certamente não seria aprovada, já que não havia estudado... E foram mil pensamentos que borbulharam. Quando o sono chegou já era madrugada.
Pela manhã tomei um banho gelado, tomei o café da manhã, saquei da minha arma inseparável: a garrafinha de água e parti rumo à escola onde ia fazer o teste.
Chegando ao portão de entrada não encontrei ninguém vendendo canetas e o que poderia ser pior que isto? Sim, havia algo pior: o cartão de inscrição que deveria ser apresentado na portaria não estava na bolsa... Meu Deus e agora?
Liguei para o meu filho, que ainda estava dormindo, acordei-o e pedi que trouxesse o cartão, se possível voando, antes do portão fechar. Fiquei por ali aguardando que ele chegasse, mas o tempo parecia haver parado, não passava... Perdi a paciência, consegui convencer o vigilante a me deixar entrar para falar com alguém. Procurei a coordenadoria de vestibular, expliquei o ocorrido e autorizaram que eu fizesse o exame, mas ainda me faltava a caneta...
Ao entrar na sala onde faria a prova avistei uma moçinha e acheguei-me, falando um tanto sem jeito:
- Você tem uma caneta preta sobrando? É que esqueci a minha...
Ela, com um sorriso lindo, prontamente me entregou duas canetas e eu disse:
- Obrigada, só preciso de uma...
Ela respondeu:
- Pegue as duas, tenho bastante, vai que uma falha você tem a outra.
Enfim, terminei a prova e fiquei esperando a moça sair para devolver as canetas. Ficamos conversando por alguns minutos e seguimos nossos caminhos.
Passei em sexto lugar, nem conseguia acreditar em tal façanha. Foi muita sorte mesmo. A moça das canetas também foi aprovada, estudamos na mesma turma e somos amigas até hoje.
Ceiça Lima
Enviado por Ceiça Lima em 30/05/2009
Código do texto: T1623863
Classificação de conteúdo: seguro

Comentários

Sobre a autora
Ceiça Lima
Maceió - Alagoas - Brasil, 60 anos
258 textos (29187 leituras)
4 e-livros (290 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/09/20 20:58)
Ceiça Lima