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"O SOM DA FLORESTA DE CONCRETO"

                             ”O SOM DA FLORESTA DE CONCRETO”
LENDAS URBANAS
                 Mesmo quando não há vento, escuto o som da floresta de concreto, vejo também a sombra de um menino impressa na parede de musgo luminoso. Nesta noite desenho na memória uma chuva de meteóros em agosto, meia noite,procuro as estrelas cadentes no céu...mas eu não as encontro...
               Imagino o som do mar calmo... acima as estrelas ardem no escuro,como tudo o que desejo.Sentada com o bloco de escrever a minha frente,durmo... sonho...a mão se abre,o lápis rola pela mesa e cai no chão do quarto.
               Escuto as sirenes das ambulâncias,das  viatura policiais, do resgate dos bombeiros,indo atender as ocorrências noturnas..._____Acordo,abro a porta da varanda,os luminosos piscam em toda cidade como fogueiras de acampamentos:um cheiro forte de chá chega até mim...
                 A água da chuva pinga dos impermeáveis brilhantes, formando pequenas poças no corredor que refletem as luzes fluorescentes. É isto,começaram os preparos da natureza, acidade parece abandonada, seus vínculos emocionais já foram desfeitos...
                   Sento-me ali e fico sentada mesmo por um longo tempo, olhando para “Floresta de Concreto”,com suas poucas árvores _____Ainda é inverno, linhas verticais, troncos nus,espaços vazios para serem ocupados quando chegar a primavera.
                   Galhos caem, batendo no solo da floresta como passos pesados ______ Penso é importante conhecer pessoas numa cidade grande como São Paulo. Alguém estuda escalas num piano,e as notas musicais saltam para noite como flexas de luz....
                    Observo que alguns telhados são mais baixos e curvos, respiro o ar quente e úmido,o cheiro de folhas molhadas e de terra parecem vir de longe....
                  Esta amanhecendo, flores abrem-se...azuis no escuro da noite,no círculo enevado da luz da rua vejo uma moto dobrando a esquina...Com capacete e jaqueta  de couro,o motociclista parece um projétil humano,um acrobata capaz de dar cambalhotas no ar....
                 Observo: a moto derrapa na avenida molhada desafiando a gravidade e endireita-se outra vez. A moto segue pela avenida, o ronco do motor parece penetrar na minha cabeça,sinto-me inexplicávelmente abandonada.
                 Atravesso o terreno oculto de um grande santuário, com fileiras de lanternas apagadas e árvores de folhas pesadas impedem a passagem da luz da rua. No escuro, os pensamentos....Continuo a escrever.....O som do vento e da chuva,inquieto e tristonho,acima deles os planetas de inverno balançam na superfície do céu....
                 A voz triste do vento: As formas e idéias se dissolvem só o som permanece. Continuo vendo a história se formar no papel branco,sob a luz fluorescente da sala.
                 Escrever é como desenhar a história da vida que parece um cota-vento de cores vivas,girando na brisa úmida...No jardim,carrilhões de vento cantam no ar sob o céu sem estrelas de São Paulo.

PS; Escrito em 10/11/2005
Lourdes
Sem o pseudônimo de Pamina.
03/02/2009

       
           
           

             
   
Pamina
Enviado por Pamina em 03/06/2009
Código do texto: T1630404

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Sobre a autora
Pamina
São Paulo - São Paulo - Brasil, 66 anos
92 textos (13862 leituras)
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