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O Combustível

Levantou cedo, lavou os cabelos. Vestiu-se e não tomou café. Assim deveria ser. Pegou o carro e atravessou a cidade na solidão da manhã. Sabia o caminho. Não precisava mais de instruções, talvez, nunca mais.

Ia a lugar nenhum, a procura do nada. Mas precisava fazê-lo. Era imperativo fazê-lo! Seria a última vez – a despedida. Livrar-se dos pesadelos de sonhos não realizados.

Parou ao lado do portão de madeira fechado. Percebeu que o muro superior fora pintado. Ficou bonito, pensou. Passantes na rua. Engraçado, não lembrava de ver tantos passantes no passado. Será por quê no passado houvera tanta ansiedade, tanta emoção nestes caminhos?

A placa de vende-se desaparecera. Claro! Depois de tanto tempo...

Pensou em bater à porta para conhecer os novos moradores. Fazer amizade, olhar o piso, as escadas, o terraço, ou quem sabe, descobrir se haveria uma churrasqueira no fundo do quintal. Desistiu. Não compensava abrir velhas feridas.

Voltou para o carro e verificou a quilometragem – 145. É! Teria que percorrer mais alguns quilômetros até queimar toda a gasolina batizada que lhe colocaram no tanque.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 12/08/2006
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T215046
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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Fátima Batista